Por Chiara Lombardi — Em um movimento que reverbera pelo palco cultural europeu, Michele Mariotti foi anunciado como o novo diretor principal da Orchestra Sinfonica Nazionale della Rai, tornando‑se o primeiro italiano a assumir oficialmente esta posição. O anúncio, feito hoje em Turim — cidade onde a orquestra tem sua sede e onde Mariotti mantém um vínculo de aproximadamente quinze anos como maestro convidado — marca o início de um novo roteiro para a instituição.
O contrato, com duração inicial de três temporadas, terá início em outubro, quando Mariotti sucederá Andrès Orozco‑Estrada. Paralelamente, o maestro renovou até 2030 seu compromisso como diretor musical da Opera di Roma, consolidando uma dupla função que o coloca no centro do mapa operístico e sinfônico italiano.
“Esta orquestra é realmente uma joia, uma orquestra italiana no mundo, e a minha nomeação é o último elo de um percurso iniciado muitos anos atrás”, declarou Michele Mariotti. “Cada concerto aqui foi crescimento e enriquecimento graças ao conhecimento mútuo com a orquestra. Uma orquestra com muitos jovens — e isso significa atenção, novas aberturas na abordagem do trabalho, significa força e futuro.”
Do ponto de vista institucional, Fabrizio Zappi, diretor da Rai Cultura, sublinhou que “com a entrada de Mariotti, Rai Cultura e Rai reafirmam a atenção à qualidade e à excelência. O trabalho que o aguarda na próxima temporada será intenso e será apoiado por todos nós com investimentos que não serão reduzidos”. Essa ênfase financeira e cultural é o espelho de um compromisso público com a música erudita num tempo em que as instituições repensam público, repertório e presença internacional.
O diretor artístico da orquestra, Ernesto Schiavi, preferiu revelar o mínimo necessário sobre o plano artístico imediato, embora tenha confirmado que a temporada 2026‑2027 já está definida. “Estamos trabalhando nas datas da temporada 2027‑2028 e em outras atividades na Itália e no exterior. Participaremos do MiTo e, em 2027, temos ideias para uma turnê no final de agosto que esperamos concretizar”, disse Schiavi, abrindo a porta para novas janelas de circulação e intercâmbio.
Para o administrador delegado da Rai, Giampaolo Rossi, “este novo encargo é a evolução de uma relação já muito profícua, agora projetada a novos objetivos artísticos”. As palavras apontam não apenas para continuidade, mas para uma ambição de projeção internacional e renovação interna.
Como observadora do cenário cultural, reconheço nesta nomeação mais do que mudança de batuta: há aqui um reframe simbólico. Escolher um maestro italiano para liderar a orquestra sinfônica da emissora pública é também uma declaração sobre identidade e memória musical — uma aposta na capacidade de dialogar com o presente sem perder a densidade histórica que a música clássica carrega. A presença de músicos jovens, destacada por Mariotti, funciona como um contraponto esperançoso: é sinal de que o repertório e a pedagogia orquestral podem (e devem) renovar‑se, mantendo o fio que liga nossa tradição ao futuro.
Nos próximos meses, acompanhar‑se‑á atentamente a montagem das temporadas, as escolhas de repertório e os projetos internacionais que definirão se este será apenas um capítulo da trajetória de Mariotti com a Orchestra Sinfonica Nazionale della Rai ou o início de um novo paradigma para a instituição.


















