Por Chiara Lombardi, Espresso Italia — O embate entre Fabrizio Corona e a mídia italiana ganhou um novo capítulo de tensão. Ontem, em Milão, a Mediaset registrou junto à Procuradoria uma denúncia contra Corona por difamação e ameaças direcionadas a executivos da emissora e a apresentadores de programas de grande audiência.
Além da queixa-crime, a emissora — representada pelo advogado Salvatore Pino — solicitou à DDA (Direzione Distrettuale Antimafia) que avalie a adoção de uma medida preventiva para impedir que o ex-agente de fotografia utilize redes sociais, outras plataformas digitais e até o celular para disseminar conteúdos similares aos que vêm sendo publicados nas últimas semanas.
O pedido surge após as primeiras edições do formato online Falsissimo, idealizado por Corona, nas quais o ex-paparazzo expôs conversas privadas, fotos e vídeos íntimos e lançou acusações diretas contra o apresentador Alfonso Signorini. Nas duas primeiras partes, Corona falou sobre alegados episódios de abuso envolvendo Signorini e anunciou nova leva de revelações — prevista para ir ao ar em 26 de janeiro — que teria, segundo rumores, outros nomes de peso da casa, com suposta menção a Samira Lui, assistente de Gerry Scotti em La Ruota della Fortuna.
Hoje à tarde está marcado no Tribunal Civil de Milão o julgamento de um pedido de liminar feito pelos advogados de Signorini, Domenico Aiello e Daniela Missaglia, com o objetivo de impedir a veiculação online da próxima edição de Falsissimo. A urgência do recurso reflete o receio de que a circulação adicional de materiais possa gerar um dano irreversível à reputação do apresentador.
Em comunicado e em declarações públicas, os defensores de Signorini argumentam que, uma vez divulgados, esses conteúdos podem ser copiados, compartilhados e replicados de maneira incontrolável, tornando qualquer tentativa posterior de remoção parcial e ineficaz. A consequência, dizem, seria um impacto devastador sobre a vida pessoal e profissional do reclamante, já afetado no cotidiano e na saúde pelo episódio.
Do outro lado, Corona não recua. Em tom beligerante, ele declarou: «Ormai è guerra, ve l’ho detto, trattative non ne facciamo. Racconterò tutta la verità anche su di voi, che coprite lui, per coprire voi. Per fermarmi mi dovete sparare». A frase, traduzida pelo contexto midiático, ressalta o clima de confrontação e a disposição do ex-paparazzo em persistir na divulgação, apesar das medidas judiciais em andamento.
Ivano Chiesa, advogado histórico de Corona, criticou a iniciativa: «Estou realmente espantado. A censura não existe mais na Itália desde 1946», declarou, invocando princípios de liberdade de expressão que colidem com as preocupações da vítima e de sua representação legal.
Este caso é, em muitos sentidos, o espelho de uma era em que o tribunal público das redes pode produzir sentenças sociais imediatas e irreversíveis — o roteiro oculto da sociedade digital. A disputa entre Mediaset e Fabrizio Corona não é só uma batalha judicial: é um teste sobre limites, responsabilidade editorial e os mecanismos legais para conter a difusão de conteúdos que podem causar danos permanentes quando viralizados.
Hoje, 21 de janeiro, aguarda-se com atenção o desenrolar da audiência emergencial e as decisões que podem redefinir o campo de batalha entre liberdade de expressão e proteção contra difamação nas plataformas digitais.
Chiara Lombardi — Espresso Italia






















