Por Chiara Lombardi — Em um movimento que parece desenhado para ser um **espelho do nosso tempo**, Marty Supreme, o novo filme da **A24** dirigido por **Josh Safdie** e estrelado por **Timothée Chalamet**, assumiu o topo do box office italiano na segunda-feira, 26 de janeiro, com uma arrecadação de €139.874. O resultado faz com que o título desloque o sucesso de público de **Checco Zalone**, cujo Buen Camino caiu para a segunda posição, faturando €114.025 no mesmo dia.
Lançado nas salas italianas na quinta-feira anterior, Marty Supreme já ultrapassou a marca de €1.750.000 em receitas totais, confirmando-se como um dos fenômenos cinematográficos mais sólidos da temporada. Após um primeiro fim de semana de sessões frequentemente esgotadas — muitas vezes com ingressos se esgotando horas antes das exibições — o filme mantém um desempenho vigoroso e amplia sua presença: a rede de salas passou de 370 para 430, aumentando tanto a frequência de sessões quanto a capacidade de público.
O que diferencia este lançamento não é apenas a bilheteria. Paralelamente ao sucesso nas salas, Marty Supreme vem registrando um impacto formidável nas redes sociais, com destaque para o alcance no TikTok. A produção gerou milhares de publicações e compartilhamentos, alimentando uma conversa jovem e efervescente. Em termos de intensidade e volume de engajamento, o filme superou qualquer outro título independente recente na plataforma — um indicativo de como a semiótica do viral pode transformar um lançamento em um evento cultural e geracional.
O reconhecimento crítico acompanha a resposta do público: o filme conquistou hoje 11 indicações ao Bafta 2026, os prêmios do cinema britânico. Entre as nomeações estão: Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Ator (categoria principal), Melhor Roteiro Original e Melhor Atriz Coadjuvante para Odessa A’Zion. É uma coroação que reforça o status do longa como um título capaz de dialogar com a história do cinema e com as tensões contemporâneas que nutrem o imaginário coletivo.
Distribuído na Itália por I Wonder Pictures e Unipol Biografilm Collection, Marty Supreme confirma que, quando um filme encontra a combinação certa entre autoralidade, estrela e circulação estratégica, ele pode reescrever as expectativas do mercado. Como observadora do zeitgeist, não posso deixar de ver nesse fenômeno um reframe da realidade: a obra entra na arena pública não só como entretenimento, mas como um catalisador de debates, memórias e identidades.
Enquanto os números crescem e as redes ecoam, resta observar como a trajetória do filme se desdobra nas premiações e na memória cultural. Em um cenário de transformação, Marty Supreme já se coloca como um dos títulos que vão marcar a temporada — e possivelmente o modo como o público jovem define o cinema independente na próxima década.






















