Por Chiara Lombardi — Em seu novo livro «L’uragano. Sole, fulmini e saette», o conhecido agente italiano Lucio Presta resgata episódios da própria trajetória — dos primeiros passos como bailarino até se tornar uma figura central no universo televisivo — e abre o diário dos bastidores onde amizade, poder e interesses se entrelaçam como num roteiro bem afinado.
Entre as memórias e revelações, surge o capítulo mais saboroso para quem observa o showbiz como um espelho do nosso tempo: o fim da relação profissional e afetiva entre Paolo Bonolis e seu antigo agente. Presta aponta diretamente a ex-mulher do apresentador, Sonia Bruganelli, como o elemento que infligiu a ruptura.
Segundo o relato de Presta, Bonolis, recém-separado, ponderava a possibilidade de um retorno à Rai — uma hipótese sugerida pelo próprio agente. O movimento teria implicações editoriais e financeiras óbvias: para Bruganelli, permanecer na órbita da Mediaset significava manter influência e oportunidades, inclusive a hipótese de consolidação de seu papel como produtora e até de ser uma voz na cobertura de reality shows como Isola dei Famosi.
Na narrativa de Presta, Sonia Bruganelli reagiu a essa perspectiva tentando minar sua credibilidade junto a Bonolis. A acusação — já deixada em tom confessional por Bruganelli em entrevistas anteriores, sem especificar nomes — teria sido: ela teria traído Bonolis com o próprio agente. Presta diz que negou veementemente o episódio e revidou, apresentando a Bonolis uma lista de supostos amantes da ex-mulher, descrevendo perfis variados — de cirurgião a apresentador, de um vencedor do Festival de Sanremo a um bailarino e um artista de musical que teria despertado nela genuína paixão.
Há, nesta passagem, um efeito quase cinematográfico: confidências trocadas em salões e festas que se transformam em munição emocional. Presta afirma que muitos desses nomes e episódios foram obtidos porque a própria Bruganelli os teria confidenciado a pessoas de seu círculo — e que ele poderia comprovar o que diz.
O desfecho dessa sequência foi previsível: o afastamento. Inicialmente, Bonolis teria pedido discrição, solicitando a Presta encontros às escondidas, mas o distanciamento tornou-se definitivo. Para o agente, trata-se de uma combinação de interesses profissionais, ressentimentos pessoais e jogos de poder que transformam laços antigos em silêncio e afastamento.
Como observadora, digo: o caso funciona como um microcosmo da semiótica do star system — onde alianças são roteiros em constante reescrita e a verdade se divide em versões apresentadas ao público. A autobiografia de Lucio Presta promete mais desses reframes, e o capítulo sobre Bonolis e Bruganelli é apenas um dos episódios que revelam o quanto o entretenimento é também uma arena de disputas por narrativas e controle.
Presta garante que pode provar suas afirmações. Resta ao leitor — e ao público que constitui o palco desta história — decidir qual versão pertence ao roteiro definitivo.






















