Em uma fala carregada de memória e resignação, Lory Del Santo comentou a dor das famílias atingidas pela tragédia em Crans-Montana, onde jovens perderam a vida em 31 de dezembro de 2025. Ao conversar com a agência Adnkronos, a atriz e autora — que já atravessou perdas insuportáveis — disse enxergar no sofrimento alheio o reflexo de sua própria história.
“Perder um filho é um trauma impossível de superar, uma ferida que não cicatriza por completo”, afirmou Lory Del Santo, evocando a profundidade de uma dor que conhece bem. A artista recordou ter perdido três filhos: Conor, de quatro anos e meio, fruto do relacionamento com Eric Clapton, que caiu de um arranha‑céu em Nova York em 1991; um bebê que faleceu com apenas duas semanas de vida; e Loren, que tirou a própria vida aos 19 anos, em 2018.
Ao falar sobre o processo de luto, Lory recusou respostas simplistas: “Não existem soluções físicas, apenas caminhos mentais e filosóficos. Pontos interiores a que nos agarramos para conseguir viver.” Essa perspectiva converte o trauma em um roteiro íntimo, quase cinematográfico, em que a protagonista deve aprender a conviver com uma perda que reescreve para sempre a narrativa pessoal.
Sobre o caso de Crans‑Montana, ela foi incisiva ao abordar responsabilidade e justiça: muitas mães — e pais — permanecem marcados para sempre; é um fardo que acompanha a vida. “É ainda mais injusto quando os responsáveis são punidos apenas anos depois. Se você é proprietário de um local e acontece uma tragédia assim, há mil razões para ser culpado.”
O tom final de Lory Del Santo buscou um horizonte possível dentro da devastação: a vida mantém seu valor mesmo quando transforma corpos e destinos. “A beleza do mundo é tão vasta que basta acreditar na força da natureza e do tempo. É preciso sofrer até o limite, aceitar a dor e então tentar uma subida.”
Como observadora cultural, não posso deixar de ver nesse depoimento o eco de um roteiro coletivo: a morte pública, a culpa dilatada no tempo e a tentativa — quase sempre solitária — de remontar a própria existência. A fala de Lory ressoa como um espelho do nosso tempo, onde a perda pessoal se entrelaça com debates sobre responsabilidade social, prevenção e memória.
Publicado em 30 de janeiro de 2026.
Por Chiara Lombardi — Espresso Italia. Uma leitura que vai além da notícia: o cinema da vida, os enquadramentos do luto e o reframe necessário para olhar o sofrimento com humanidade.






















