Por Chiara Lombardi — Em um post emotivo compartilhado nas redes, Laura Pausini confessou estar entusiasmada e resoluta diante da sua próxima função como co-condutora do Festival de Sanremo. A artista, fotografada sorrindo à beira-mar, descreveu essa oportunidade como “a mais louca das minhas aventuras profissionais” — uma frase que funciona como um trailer íntimo de um momento público que carrega memórias, expectativas e tensões.
No texto, Laura Pausini recorda que conhece o festival “desde que nasceu”: conhece as canções, os apresentadores, as cenografias — sabe, portanto, o peso simbólico que o palco do Ariston carrega na cultura italiana e além. É essa familiaridade histórica que torna sua entrada no papel de co-condutora um gesto carregado de significado, quase uma curadoria afetiva do repertório coletivo.
Ela também aborda as críticas que marcaram os últimos meses: “palavras que sempre serão escritas ao lado do meu nome: bela e brutta, simpatica e antipatica, capace e incapace…” — um inventário de opostos que lembra o espelho multifacetado do nosso tempo, onde uma mesma figura pública é simultaneamente adoração e alvo. Pausini observa, com a lucidez de quem conhece o funcionamento do espetáculo midiático, que as críticas negativas ganham destaque porque atraem cliques e curiosidade.
Mesmo assim, a cantora afirma ter escolhido viver a experiência plenamente. “Estudei, preparei-me e, embora seja muito emotiva, sei que estou pronta e serei capaz de perdoar meus próprios erros,” escreve Laura. A afirmação revela mais que determinação: é um reframe emocional — aceitar a falibilidade como parte do exercício público, sem permitir que vozes externas roubem a vivência desse instante único.
“Por isso, com muita humildade, espero merecer este papel e não permitirei que ninguém estrague este momento único da minha vida.” A frase soa como um manifesto privado lançado ao espaço público: uma artista que reivindica autonomia sobre sua própria experiência, no palco mais observado da música italiana.
Enquanto a imprensa e o público tecem interpretações sobre sua presença no Sanremo, o post de Laura Pausini funciona como uma peça de mise-en-scène pessoal — um modo de estabelecer o tom antes do espetáculo. É também uma lembrança de que a cultura pop é, frequentemente, um roteiro oculto da sociedade, onde questões de gênero, reputação e memória coletiva se entrelaçam com notas e luzes.
Na esteira das polêmicas, a própria artista transforma a narrativa: não mais objeto de especulação, mas autora da sua aparição. E é nesse gesto — planejar, preparar e declarar limites — que se revela o verdadeiro poder simbólico de sua escolha de aceitar o convite para dividir o comando do festival.
Data da declaração: 19 de fevereiro de 2026.






















