Esta noite, em primeira serata na Canale 5, volta o torneio La Ruota dei Campioni, apresentado por Gerry Scotti. O clássico formato italiano, adaptado do americano Wheel of Fortune, é mais do que um entretenimento: é um espelho do nosso tempo, um reframe da televisão popular que espelha aspirações, memórias e mudanças sociais.
A história do programa em Itália tem nuances que muitas vezes passam despercebidas. Embora o jogo tenha aparecido em inserções televisivas entre 1983 e 1987 (em programas como Ciao Gente, Buona Domenica e Pentatlon), a primeira edição regular foi transmitida em 1987 pela Odeon TV, sob a condução de Augusto Mondelli. Em 1989 o programa desembarcou na Canale 5 com o icônico Mike Bongiorno, uma presença que ajudou a cristalizar o formato na memória coletiva. Posteriormente, o show migrou para a Rete 4 (1996–2003) e mais tarde para a Italia 1 (2007–2008), acompanhando mudanças na paisagem televisiva italiana.
Há episódios que viraram lenda — entre eles, a conhecida explosão de bom humor (e, por vezes, impaciência) de Mike Bongiorno contra a participante Antonella Elia, um momento que revela muito sobre a dinâmica entre apresentador, público e o que se espera do ‘fenômeno televisivo’. Acontece que, por trás da roleta, havia regras de convivência e o risco da performance excessiva: a TV funciona como um palco onde o equilíbrio entre carisma e disciplina define quem será celebrado.
Outro fato curioso: em 1994 o futuro político Matteo Renzi fez uma aparição no programa — uma lembrança de como a cultura pop e o percurso público podem se cruzar inesperadamente, como se o roteiro oculto da sociedade colocasse figuras em cenários distintos antes que seus destinos fossem traçados.
Quanto a quem ganhou mais na história de La Ruota della Fortuna, o jogo distribuiu prêmios significativos ao longo das décadas — desde somas em dinheiro a automóveis e viagens. Alguns participantes chegaram a acumular recordes pessoais que permaneceram na memória dos fãs, e o torneio atual, La Ruota dei Campioni, resgata essa ideia de confronto e memória coletiva, transformando velhos episódios em cadeia de significados.
O que torna a franquia relevante hoje não é apenas a roleta ou as letras descobertas, mas seu papel como um reflexo cultural: cada episódio funciona como um pequeno documentário do gosto popular, das linguagens e dos modismos que atravessam gerações. O programa é, portanto, um estudo de caso sobre a semiótica do viral e a forma como a televisão produtora de memórias se reinventa.
Ao acompanhar a edição desta noite, vale observar não só os concorrentes e os prêmios, mas as nuances performativas — as pausas, as expressões, o modo como o público responde. É aí que reside a verdadeira história: a roleta gira, mas o que fica é o eco cultural.






















