Kappa FuturFestival, o maior festival open air de música eletrônica da Itália, confirma sua aura de farol cultural: a programação completa da XIII edição acontece de 3 a 5 de julho no Parco Dora, em Turim, reunindo mais de 120 artistas de prestígio mundial. A divulgação final da lineup consolida um roteiro sonoro que funciona como espelho do nosso tempo — uma curadoria que dialoga entre tradição e vanguarda, memória e futuro.
Depois dos primeiros nomes revelados em dezembro, a segunda leva reforçou a identidade internacional do evento, apostando nos back-to-back (B2B) como espaços de experimentação e de diálogo artístico. Com a terceira e última tranche de anúncios, o festival completa um cartaz eclético, pensado para atender gostos diversos e para mapear as múltiplas camadas da música eletrônica contemporânea.
Entre as presenças mais aguardadas estão nomes que representam diferentes genealogias do eletrônico: Chris Lake, a energia pop-club britânica; Maceo Plex, que mistura a herança Detroit com texturas mais sombrias; Solomun, figura central dos grandes palcos; e Seth Troxler, curador e agitador da cena house/techno. Há também a promessa de potência em um back-to-back envolvendo Fatima Hajji, uma colisão sonora pensada para empurrar limites.
Do Reino Unido, chega Sammy Virji, ligado à renovação do UK Garage, enquanto Max Cooper LIVE AV propõe um encontro entre eletrônica experimental e techno em performance audiovisual. A ligação com a história está representada por pioneiros como Lil Louis e por artistas multidisciplinares como Agoria, que desafiam fronteiras entre techno e experimentação francesa.
O festival não esquece as novas frentes: a fusão entre bass-music e referências africanas de Mia Koden, a explosividade de Jazzy e o som profundo de Chez Damier — guardiões de estéticas e genealogias distintas. Na linha das pesquisas sonoras sofisticadas, John Talabot e o tão aguardado B2B entre Jane Fitz e Rhadoo prometem pontes entre hipnose e técnica pura.
Da nova geração emergem nomes como Massano e o back-to-back Max Dean B2B Luke Dean, enquanto Four Tet aparece em set solo, reafirmando sua assinatura minimalista e refinada. Complementam o cartaz a house elegante de Chloè Caillet em B2B com Luke Alessi, as visões de Batu, a elegância de Anthea e as seleções criteriosas de Simone de Kunovich, além do projeto especial D-Leria.
O resultado é uma programação que mais se parece com um roteiro curatorial: feixes de influência que cruzam Detroit, Reino Unido, França e novas diásporas sonoras — um verdadeiro reframe da realidade eletrônica. O Kappa FuturFestival reafirma-se como cena e como evento-espelho, onde o entretenimento se transforma em diagnóstico cultural e em experiência coletiva.
Para quem acompanha a cena, o festival é também um indicador: eleito o sexto melhor festival do mundo pela DJ Mag, o evento torna Turim palco de um encontro entre passado e futuro, tradição e risco. Em tempos em que festivais funcionam como capítulos rápidos do nosso imaginário, a edição de 3 a 5 de julho no Parco Dora desenha-se como um dos pontos altos do calendário eletrônico europeu — um roteiro de sons e encontros que merece ser lido com atenção, como se folheássemos o roteiro oculto da sociedade contemporânea.





















