Por Chiara Lombardi, Espresso Italia
Em tom de reflexão e com um olhar crítico sobre o presente, Giorgio Panariello e Tecla Insolia apresentam à imprensa italiana o novo filme da Disney e Pixar, Jumpers — uma fábula moderna que, nas palavras dos atores, funciona como um verdadeiro espelho do nosso tempo. Nas salas a partir de 5 de março, a animação coloca no centro uma heroína determinada e um reino animal que precisa reaprender a solidariedade.
No filme, Mabel (dublada por Tecla Insolia na versão italiana) é uma amante dos animais que utiliza uma tecnologia capaz de transferir sua consciência para um castor robótico, o que lhe permite comunicar-se com as criaturas do pântano. Ao descobrir segredos que vão além da imaginação, ela faz aliança com o carismático castor Re George (voz de Giorgio Panariello) e tenta unir todo o reino animal contra uma ameaça liderada pelo prefeito sem escrúpulos Jerry Generazzo (interpretado por Francesco Prando).
Para Panariello, Jumpers não é apenas entretenimento: é uma narrativa que dialoga com problemas reais. Ele destaca temas centrais como a justiça e o meio ambiente, e compara a protagonista a uma espécie de Giovanna d’Arco moderna — uma figura capaz de mobilizar uma comunidade adormecida. “Quando a maldade fica tão forte, a comunidade se fecha e precisa reagir”, observa o comediante, lembrando que a coragem de um indivíduo pode reconfigurar um cenário de resignação.
Insolia, por sua vez, vê em Mabel um símbolo geracional: uma jovem que mantém princípios e convicções apesar dos obstáculos. “É um filme no qual uma geração pode se reconhecer. Precisamos de vozes jovens e indignadas para provocar mudanças”, diz a atriz, evocando, sem citar diretamente, o eco de movimentos ativistas contemporâneos.
O enredo também explora regras não ditas de um ecossistema onde a adaptação às perdas costuma ser a norma. Regras do tipo “quando tens de comer, come” definem a lógica do pântano, segundo Panariello, mas a proposta do filme é justamente subverter essa aceitação: “Mabel diz não — vamos nos unir e combater o mal”. É a antiga trama do conflito entre acomodação e ação coletiva, um tema que ressoa como um roteiro oculto da sociedade.
Na coletiva em Roma, estavam presentes o diretor Daniel Chong e a produtora Nicole Paradis Grindle, que confirmaram a intenção de criar uma história que seja ao mesmo tempo divertida e significante. “Queríamos enfatizar que o sentido de comunidade é a verdadeira força dos protagonistas”, explicou a equipe, transformando Jumpers num hino cinematográfico a uma geração em busca de um novo projeto comum.
Entre a leveza da animação e a densidade temática, o filme funciona como um reframe cultural: entretenimento que não se limita a distrair, mas que reflete tensões contemporâneas e convida à reflexão sobre responsabilidade, identidade e ação coletiva — um convite para olhar além da superfície e reconhecer o roteiro social que nos molda.






















