Por Chiara Lombardi — Em um breve vídeo publicado nas redes sociais, Jovanotti recebeu com emoção a notícia de sua nomeação a Commendatore da República Italiana, uma das honrarias mais solenes do Quirinale. A cena, filmada com leveza e um sorriso que combina o brilho de um artista com a curiosidade de um eterno jovem, revela o lado humano por trás do título: a surpresa, a gratidão e a referência afetiva à própria trajetória.
No clipe, embutido pela trilha de sua clássica Ragazzo Fortunato, Lorenzo Cherubini mostra a pergaminha e a insígnia recebidas. Há um gesto de brincadeira — “Eu sei que vocês estão pensando ‘Uè, cumenda!’”, diz ele em um falso sotaque milanês — que serve para dissipar a solenidade do momento. Mas a expressão no rosto, a gravata colorida contrastando com o paletó discreto e o sorriso do “ragazzino” que fugia de casa para ser DJ exprimem uma emoção autêntica, mais eloquente que qualquer formalidade protocolar.
Jovanotti define o reconhecimento como “uma coisa maravilhosa, uma grande honra e uma imensa alegria” e dedica a condecoração aos pais já falecidos, à esposa Francesca e à filha Teresa. O artista também manifesta gratidão ao presidente Mattarella — que concedeu a distinção motu proprio, ou seja, por iniciativa própria, fora das datas tradicionais como 2 de junho ou 27 de dezembro — com uma pitada de humor: “Obrigado, o senhor é um grande presidente. E não é só porque me fez commendatore, talvez tenha sido um passo em falso”, brinca.
O gesto do presidente não é isolado: o vínculo entre os dois sempre foi de cordialidade. Nos últimos anos, eles se encontraram diversas vezes; o registro mais recente foi em setembro de 2025, na inauguração do ano letivo no instituto de menores de Nisida, onde trocaram conversas sobre educação e comunidade. Essa conexão acrescenta uma dimensão relacional ao ato protocolar, como se a honraria reconhecesse também um diálogo público continuado entre o artista e as instituições.
Instituído em 1951, o Ordine al Merito della Repubblica Italiana é o principal entre os ordens nacionais e destina-se a premiar méritos em letras, artes, economia e atividades sociais, filantrópicas e humanitárias, além de serviços civis e militares de destaque. O sistema hierárquico vai do Cavaliere di Gran Croce decorato di Gran Cordone até Cavalieri, com os títulos de Gran Croce, Grandi Ufficiali, Commendatori, Ufficiali e Cavalieri pelo caminho. Para ser elegível, é preciso ter ao menos 35 anos.
Artistas consagrados já figuram na lista de agraciados: entre outros, Ligabue, Orietta Berti, Franco Battiato, Francesco Guccini, Laura Pausini, Andrea Bocelli e Zucchero. A inclusão de Jovanotti ganha, portanto, um lugar em uma tradição que reconhece o impacto cultural sobre a nação — a honraria funciona como um espelho das contribuições artísticas que moldaram a memória coletiva.
Enquanto celebra, Jovanotti adianta que novas notícias serão divulgadas na segunda-feira — desta vez, muito provavelmente, atreladas à sua carreira musical. É como se o título institucional abrisse um novo capítulo no roteiro público do artista: a honra oficial de hoje e, possivelmente, anúncios criativos amanhã. No mosaico da cultura contemporânea, esse episódio é um pequeno reframe que nos convida a ler o entretenimento como um espaço de significados sociais e afetivos.
Data da notícia: 30 de janeiro de 2026.





















