Por Chiara Lombardi — A Walt Disney Company anuncia uma virada no roteiro executivo: Josh D’Amaro, atual presidente de Disney Experiences, será o novo CEO da empresa a partir de 18 de março. A transição marca o fim de um capítulo em que Bob Iger voltou ao papel de líder de forma interina para encaminhar a sucessão após um retorno considerado temporário.
Depois de décadas como espelho do imaginário coletivo, a Disney vive agora um momento em que estratégia, experiência de consumo e logística de entretenimento se sobrepõem — e a escolha de Josh D’Amaro sinaliza exatamente essa convergência. Com 54 anos e na companhia desde 1998, D’Amaro traz ao posto uma trajetória integralmente forjada nos parques, nas operações comerciais e no vigor da engenharia criativa da marca: de funções iniciais em Disneyland a cargos como CFO de Disney Consumer Products Global Licensing, presidente do Disneyland Resort e do Walt Disney World Resort.
No atual cargo, que assumiu em maio de 2020, ele supervisionou parques, cruzeiros, produtos de consumo e o departamento de inovação conhecido como Walt Disney Imagineering — um portfólio que combina espetáculo criativo e rigor operacional. É essa capacidade de casar a dimensão artística da Disney com a disciplina industrial que Bob Iger destacou ao declarar: “Josh D’Amaro é um líder excepcional e a pessoa certa para se tornar nosso próximo CEO”. A fala de Iger reforça o entendimento de que o sucessor possui sensibilidade para o público e para a execução de projetos ambiciosos.
Historicamente, a trajetória de Bob Iger na Walt Disney Company foi marcada por um longo mandato inicial de 15 anos, encerrado em 2020 com a passagem do bastão a Bob Chapek. O retorno de Iger como CEO em 2022 foi pensado como um ato de estabilização, um gesto para reposicionar a companhia enquanto se encontrava um sucessor alinhado às necessidades estratégicas do grupo. Agora, com a nomeação de D’Amaro, encerra-se esse período de transição direta.
Do ponto de vista cultural, a mudança funciona como um reframe do que a Disney representa no mercado atual: não apenas conteúdo e estúdio, mas uma experiência integrada entre parques, produtos, tecnologia e narrativa imersiva. É como se o roteiro oculto da corporação tivesse decidido que o protagonista da próxima cena deve ser alguém que conhece os bastidores das montanhas-russas e as engrenagens da cadeia de produtos.
Para além do simbolismo, a nomeação tem implicações práticas: o mercado observará como Josh D’Amaro lidará com desafios como a monetização de conteúdos, a expansão internacional dos parques, a sinergia entre estúdios e experiências físicas e a crescente concorrência no streaming. A sua experiência operacional pode apontar para um foco maior na eficiência e na experiência direta do consumidor — medidas que soam, hoje, essenciais para manter a relevância da marca em escala global.
Em resumo, a sucessão não é apenas uma troca de assentos no conselho: é um ajuste de narrativa. A Disney escolheu um maestro da experiência para reger a próxima temporada do seu legado — restará ao novo CEO traduzir essa herança em inovação sustentável e em novos capítulos que dialoguem com o público contemporâneo.


















