Por Chiara Lombardi – Em um movimento que mistura intimidade e estratégia simbólica, Jacqueline Luna Di Giacomo usou as redes sociais para celebrar o aniversário de 30 anos de Ultimo e, ao mesmo tempo, dissipar as especulações sobre uma possível crise no casal. A postagem, simples e carregada de afeto, funciona como um pequeno espelho do nosso tempo: uma mensagem privada projetada em público para reafirmar uma narrativa de tranquilidade.
No post, Jacqueline escreveu a frase em italiano ‘Lontano dai rumori e vicino alle risate. Happy 30 daddy’ e acompanhou com uma foto íntima tirada antes do nascimento do filho do casal, Enea. O gesto – publicar uma imagem anterior à chegada do bebê – reverbera como um reframing da memória afetiva, uma escolha deliberada que reconstrói a cena familiar e desmonta rumores de tensão.
A presença de Jacqueline, filha de Heather Parisi, acrescenta camadas de visibilidade midiática a essa narrativa. Não se trata apenas de desmentir boatos; é um ato público que sinaliza estabilidade afetiva e confirma um roteiro, por ora, harmonioso no qual a paternidade e a carreira se entrelaçam.
O próprio Ultimo – nome artístico de Niccolò Moriconi – também celebrou os 30 anos com uma mensagem extensa e introspectiva nas redes. No texto, ele traça um balanço de sua trajetória: das cenas iniciais na chamada ‘casa com Tonno’ até a composição de ‘Pianeti’; dos dias no quinto andar, entre conversas e cigarros, até a virada em 2018 com a vitória no Sanremo Giovani, dedicada a ‘Vale’.
Ultimo relembra a entrada no mainstream com ‘Peter Pan’, os primeiros instore nos centros comerciais e o marco de Sanremo 2019 com ‘I tuoi particolari’, lembrando também o momento libertador daquele evento. O percurso ao vivo ganha destaque: o tour pelos 20 palazzetti, as lágrimas no primeiro Stadio Olimpico, e o anúncio do primeiro tour por estádios, interrompido pela pandemia.
Entre as passagens mais íntimas da sua carta pública, Ultimo menciona a chegada de Enea, afirmando que o filho o ensinou a manter um certo desapego frente às trivialidades da vida. Nos trechos finais, ele aponta conquistas recentes e planos futuros: 2025 marcado pelo 10º Stadio Olimpico e pelo anúncio do evento em Tor Vergata, descrito como o mais importante de sua vida, e a expectativa aberta sobre ‘2026, eccoci’.
Mais do que um anedotário de carreira, essa sequência de postagens funciona como um relato coreografado de identidade artística e familiar. Num cenário onde a intimidade é moeda e o circuito da fama reescreve memórias, a declaração de Jacqueline e o balanço de Ultimo atuam como um roteiro oculto que nos diz muito sobre como artistas contemporâneos gerenciam imagem, afetos e narrativa pública.
Para o observador cultural, há aqui uma semiótica do viral: cada foto e cada frase compõem um mosaico que reafirma laços e ambições. E, acima de tudo, confirma que, por ora, a cena doméstica entre Jacqueline Luna Di Giacomo e Ultimo segue serena, com o nascimento de Enea funcionando como eixo de renovação pessoal e estética.






















