Por Chiara Lombardi — A primeira imagem oficial do reboot de Highlander chegou como um fotograma que pretende reescrever um clássico: nas redes sociais, Henry Cavill compartilhou as primeiras fotos que o apresentam como o imortal protagonista. A publicação do ator britânico acompanha uma mensagem contida — “Boa primeira olhada em Highlander! Foi uma jornada realmente exigente para mim, sobre a qual falarei quando chegar o momento certo, mas poder compartilhar isto é um momento especial. Espero que gostem” — e abre espaço para perguntas maiores sobre o que este reboot quer refletir do nosso tempo.
Dirigido por Chad Stahelski, nome que consolidou um estilo visual preciso e físico na saga John Wick, o filme traz no elenco nomes que reforçam a ambição da produção: Russell Crowe, Karen Gillan, Djimon Hounsou, Dave Bautista, Marisa Abela e Max Zhang. São atores que, individualmente, carregam diferentes tradições cinematográficas — do blockbuster ao drama denso — e juntos prometem redesenhar a mitologia dos imortais.
Há cinco anos do anúncio oficial de que Henry Cavill seria o protagonista do remake, essas imagens funcionam como o primeiro trailer sem som: composições, cortes de luz e figurinos já denunciam a assinatura de Stahelski. O diretor, que reescreveu a coreografia do cinema de ação contemporâneo, parece interessado em transferir a estética do combate estilizado para um universo onde a imortalidade pode assumir diferentes formas de conflito e memória cultural.
No campo simbólico, o retorno de Highlander é mais do que um exercício de nostalgia. A história dos imortais tornou-se um espelho do nosso tempo — um roteiro oculto sobre memória, trauma e identidade — e um reboot assim posicionado pode oferecer um reframe da realidade: o que significa viver muito num mundo de ciclos rápidos e efemeridade digital? As escolhas de elenco e de direção já apontam para uma leitura contemporânea, que mistura a grandiosidade do épico com a intimidade do drama pessoal.
Para fãs da obra original de 1986, e para os que acompanham a carreira de Cavill — conhecido por papéis como The Witcher e o Superman dos cinemas —, a novidade exige paciência e curiosidade crítica. As primeiras imagens são um convite para observar não só o rosto do ator, mas o contexto visual e narrativo que a produção pretende construir.
Como analista cultural, vejo este momento como a passagem de um legado para outro: o reboot não apaga a versão precedente, mas a dialoga, reconfigurando mitos num cenário global onde a cultura pop funciona como arquivo e espelho. Aguardamos mais fragmentos dessa construção: trailers, fotos de bastidores e, sobretudo, a forma como o filme tratará temas como imortalidade, memória e violência ritualizada — a semiótica do viral no cinema contemporâneo.
Fique atento: a partilha de Henry Cavill nas redes não é apenas um anúncio de produção; é um gesto performativo que prepara o terreno para o impacto cultural que Highlander busca revisitar. Em breve, quando o quadro se expandir, poderemos falar com mais precisão sobre o tom, a narrativa e a pluralidade de sentidos que este reboot trará.






















