No episódio de abertura, o programa parte do coração das bellezze italiane, escolhendo as partes menos óbvias das Marche — Ancona, ainda pouco celebrada mas rica em surpresas; Senigallia, com sua longa história marítima; e Jesi, cidade de arte e das colinas onde nasce o Verdicchio. Raspelli e Bruscoli percorrem vinhedos, conversam com produtores e investigam soluções locais de eficiência energética e cuidado ambiental.
Na segunda edição, que integra a produção da TvCom para La7 em parceria com a CNA (Confederação Nacional do Artesanato e das Pequenas e Médias Empresas), a atenção se volta para a Ligúria: os panoramas e as produções de excelência em La Spezia, Lerici e Sestri convocam um olhar que mistura turismo, tradição e inovação sustentável.
Com cinco décadas de experiência como jornalista e crítico gastronômico, Edoardo Raspelli acrescenta ao programa um ponto de vista crítico sobre o que se come e como se produz. Nas redes sociais, ele promete publicar avaliações dos restaurantes visitados — sempre como cliente comum, pagando suas refeições — reforçando transparência e autenticidade no trabalho de crítica.
Raspelli sublinha um princípio simples e poderoso: o respeito pelo ambiente começa pela origem dos ingredientes. “Comprando vinho, azeite ou frutas italianas”, afirma ele, “ajudamos o agricultor local e protegemos o território”. Em tempos de crise climática, essa é uma ação cotidiana com efeito coletivo — um pequeno gesto que ressoa como um eco cultural.
Enquanto observadora do cenário cultural europeu e global, vejo Green Tour como um espelho do nosso tempo: um programa que pretende resgatar a memória dos lugares e, ao mesmo tempo, mapear práticas que reframeiam a economia local. Não se trata apenas de turismo ou gastronomia; é uma cartografia do possível, onde cada produtor, cada vila interiorana e cada restaurante atuam como peças de um roteiro maior de transformação.
O formato eleva a narrativa do consumo responsável à categoria de patrimônio imaterial: as escolhas do dia a dia tornam-se afirmações políticas e culturais. Assim, Green Tour nos convida a olhar além do óbvio — a preferir a colina ao cais turístico, o produtor local à mercadoria sem rosto — e a reconhecer nas pequenas ações um impacto duradouro para as paisagens e comunidades que queremos preservar.
Data da publicação original: 20 de fevereiro de 2026.






















