Por Chiara Lombardi — Em um gesto que mistura indignação pública e o impulso moral de uma artista, a atriz Glenn Close escreveu e leu um vídeo-mensagem no Instagram após os acontecimentos em Minneapolis. A cena que a levou a falar foi o assassinato do homem de 37 anos, Alex Pretty, morto a sangue frio por agentes do ICE. No recado, Close afirmou que não podia mais ficar em silêncio diante daquilo que descreveu como o desmantelamento da democracia americana.
“Vi nossa democracia sendo dilacerada e as instituições — embora imperfeitas no passado — sendo desfeitas”, disse a atriz, em palavras carregadas de reprovação. Ela listou comportamentos e características que, segundo ela, definem o que chamou de regime de Trump: a crueldade, a desumanidade, a arrogância, a corrupção voraz, a covardia, a hipocrisia nauseante e a manipulação flagrante dos fatos. Para Close, tudo culminou no crime cometido contra um cidadão americano.
A artista também fez uma observação ácida sobre a cultura armamentista nos Estados Unidos, apontando que há “milhares e milhares de cidadãos com suas adegas cheias de armas” e expressando o temor de que o ICE esteja, involuntariamente ou não, dando uma desculpa para que esses armamentos sejam usados. Essa ligação entre aparato estatal, violência e liberdade de armas traça um paralelo inquietante com o roteiro oculto da sociedade contemporânea, onde o poder e o medo se retroalimentam.
Com uma reflexão que mistura antropologia popular e crítica política, Close relembrou que os humanos tornaram-se “tribais, territoriais e violentos” desde a saída das cavernas, e relacionou essa tendência primitiva com a história turbulenta dos próprios Estados Unidos. Ainda assim, ela ressaltou que a democracia exige compromisso — mas não a venda de princípios por ganho pessoal ou vingança.
Fechando sua declaração com uma nota firme, a atriz disse acreditar que o “grande corpo político americano” está despertando para o que está acontecendo e para o que o regime de Trump tenta impor ao país e às suas pessoas. “E eles pagarão as consequências”, concluiu.
Há algo de teatral no ato de uma estrela usar seu palco digital para chamar atenção política — uma cena que funciona como um espelho do nosso tempo. A intervenção de Glenn Close não é mero comentário de celebridade: é um chamado ético que transforma uma reação emocional em performance cívica, uma lembrança de que o entretenimento frequentemente revela o eco cultural de crises mais profundas.
Data do pronunciamento: 26 de janeiro de 2026.






















