Giorgio Mancini foi nomeado novo diretor artístico do Balletto di Toscana, marcando o início de uma fase estratégica de relançamento para a companhia após um ano de profundo reordenamento. Para quem observa a cena cultural como um roteiro em constante reescrita, essa mudança é ao mesmo tempo um gesto de continuidade e um convite para reinventar o palco.
“É uma desafia importante, mas também uma grande oportunidade. Neste último ano a gestão lançou as bases necessárias para recomeçar. Vínhamos de uma fase de emergência, hoje a situação está mais clara e podemos finalmente olhar adiante”, diz Giorgio Mancini, cujo percurso o credencia como figura de referência no panorama da dança italiana e internacional.
Formado como dançarino no universo de Maurice Béjart, Mancini bailou por longos anos no Ballet du XX Siècle, transitando entre Lausanne e os grandes palcos europeus. A sua trajetória inclui reconhecimento de lendas como Rudolf Nureyev, direção artística no Grand Théâtre de Genève e uma década à frente do corpo de baile do MaggioDanza — experiências que lhe conferem visão tanto para o repertório clássico quanto para o diálogo com a coreografia contemporânea.
Concidadão e conhecedor profundo do tecido cultural florentino e toscano, Mancini terá um papel direto na formação e no desenvolvimento de jovens bailarinos. O novo curso da companhia nasce da integração cada vez mais estreita entre a Accademia Bozzolini Scuola del Bdt e a companhia: o Nuovo Balletto di Toscana será composto pelos melhores alunos da Accademia Bozzolini, muitos dos quais já atuam com o Ensemble Bozzolini.
Esse modelo virtuoso — formação que conecta-se imediatamente à produção — permite que talentos emergentes entrem cedo em cartaz, nos principais teatros, festivais e temporadas, trabalhando com coreógrafos e artistas de projeção internacional. É um reframe da realidade institucional que, em Itália, ainda é incomum.
“O Balletto di Toscana possui algo muito forte — observa o presidente Mario Setti —: uma cultura profunda, uma tradição reconhecida em Itália e no exterior, novas energias e uma sede finalmente adequada. Agora podemos transformar esse patrimônio em projetos concretos.” A direção também registrou agradecimento a Philippe Kratz pelo trabalho exercido como diretor artístico anterior.
A nova direção já está em atividade. Uma primeira produção está pronta para ser apresentada a teatros e instituições, seguida por outras duas ao longo de 2026. O objetivo é construir uma companhia sólida, tanto numericamente quanto artisticamente, capaz de encarar múltiplas produções e elencos diversificados, partindo de bases clássicas para edificar um contemporâneo consistente.
No médio prazo, o projeto ambiciona ainda mais: fazer do Balletto di Toscana um Centro de Formação e Produção, um verdadeiro hub cultural que funcione como espelho do nosso tempo e multiplicador de memórias e práticas cênicas. Para quem ama acompanhar o movimento das artes cênicas, é um roteiro que vale a pena acompanhar — um cenário de transformação em que a tradição encontra a renovação.

















