Por Chiara Lombardi — Em um gesto que é ao mesmo tempo aposta e convicção cívica, Giorgino retorna à tela com a terceira temporada de XXI Secolo — Quando o presente diventa futuro — na Rai1, às noites de segunda-feira em segunda‑serata. O formato privilegia um público jovem em estúdio, convidado a fazer perguntas e a participar de um diálogo real sobre temas que atravessam o nosso tempo: da política externa à economia, do cotidiano das instituições ao universo do espetáculo. É um programa que pretende ser espelho do nosso tempo, mas também um roteiro que reescreve a forma como a televisão pública conversa com as novas gerações.
Depois de mais de trinta anos na Rai e de longas temporadas como rosto do Tg1 das 20, Giorgino declara três princípios orientadores desta edição: exercer o serviço público, mostrar o lado positivo do país sem ignorar suas fraturas, e manter uma narrativa pacata — distante do grito mediático. A proposta é clara: tornar acessíveis, para todo o público, assuntos complexos.
O programa está dividido em três blocos que funcionam como atos de um único ensaio sobre contemporaneidade. No primeiro, um editorial no qual o apresentador responde diretamente às questões levantadas pelos jovens em estúdio — uma escolha estratégica que reflete a crença de Giorgino na força da televisão generalista como canal atraente para públicos emergentes. É como se o estúdio se transformasse num pequeno fórum público, um cenário de transformação onde se negocia entendimento e curiosidade.
Na segunda parte, há o confronto direto com um protagonista do cenário político ou econômico. Na estreia desta noite, o tema das Olimpíadas Milão Cortina ganha centralidade, com a presença do Ministro Abodi. O diálogo promete explorar não só a logística e o legado esportivo, mas também as implicações políticas, urbanísticas e simbólicas de sediar um evento de escala internacional — a semiótica do viral aplicada ao território.
A terceira seção dedica‑se ao entretenimento, onde aflora o perfil de apresentador e contador de histórias que acompanhou Giorgino em outras ocasiões, como no Dopofestival de Sanremo de 2002 ao lado de Simona Ventura. Nesta edição, o convidado será Malgioglio, cuja presença permite deslocar o tom para o registro mais leve e humano do espetáculo, lembrando que cultura popular e debate público coexistem e se retroalimentam.
Perguntado se sente falta de apresentar o Tg1, Giorgino admite que não seria sincero em negar a saudade. No entanto, ressalta que o trabalho atual, com o formato do XXI Secolo, o apaixona: “É o exercício de traduzir o complexo para o público”, diz ele — um verdadeiro reframe da realidade em tempo televisivo.
Mais do que uma repaginação de um veterano do jornalismo, a nova temporada funciona como um laboratório mediático: mistura perguntas diretas de jovens, interlocuções institucionais e o tempero do entretenimento para desenhar, em episódios, o mapa das preocupações contemporâneas. É televisão que pretende escutar e formar, sem sacrificar a elegância do tom — um convite a olhar além da superfície e a compreender o roteiro oculto da sociedade.






















