Gianluca Gazzoli é o rosto e a voz que conduzem o palco de Sanremo Giovani, acompanhando a nova geração de artistas na busca por um lugar no grande festival. “Para mim é um prazer acompanhar esses jovens a perseguir seus sonhos”, declarou Gazzoli momentos após o anúncio de Carlo Conti de que seria ele a liderar o contest exibido na Rai2. Essa frase resume bem o papel que exerce: mediador entre palco, público e memória coletiva — um verdadeiro espelho do nosso tempo.
O formato deste ano selecionou duas (e não três, como em edições anteriores) das quatro Nuove Proposte que se enfrentarão nas segunda e terceira noites do Festival; as outras duas vieram de Area Sanremo. Os quatro artistas são divididos em duas duplas, cada par em confronto direto: a semifinal acontece no dia 25 de fevereiro e a final no dia 26.
Nos embates previstos, Nicolò Filippucci desafia o trio constituído por Blind, El Ma & Soniko, enquanto Angelica Bove mede forças com Mazzariello. O vencedor de cada duelo é decidido pela combinação do Televoto do público, pela Giuria della Sala Stampa, Tv e Web e pela Giuria delle Radio, garantindo um reframe democrático entre crítica, emissoras e audiência.
Nascido em Vigevano em 1988 e criado em Cologno Monzese, Gazzoli começou sua trajetória em ambientes populares — os villaggi turistici — e construiu um percurso sólido entre rádio e televisão. Passou por Radio Number One e Radio2 e colaborou em programas como The Voice, Quelli che il calcio e Domenica In. Já em 2017, na terceira edição apresentada por Carlo Conti, conduziu a transmissão do Festival de Sanremo para a Radio2 ao lado de Andrea Delogu e Gianfranco Monti.
Sua versatilidade também o levou a projetos na televisão por assinatura com Dmax e Sky; atualmente, é apresentador do programa Gazzology na Radio Deejay. Mas foi no universo digital que Gazzoli encontrou um espaço de narrativa livre: produziu e mantém formatos web que lhe permitem explorar histórias e vozes com autonomia editorial.
O podcast Passa dal BSMT, nascido em abril de 2022, tornou-se um dos mais seguidos da Itália, ultrapassando a marca de 240 convidados — entre eles nomes internacionais e nacionais como Jared Leto, Valentino Rossi, Ben Affleck, Matt Damon, Laura Pausini, Andrea Bocelli, Gianni Morandi, James Blunt, Michelle Hunziker, Carlo Verdone, Jovanotti, Amadeus, Leonardo Pieraccioni, Roberto Saviano, Federica Pellegrini, Ultimo e Paolo Bonolis. Esse arquivo de vozes forma um arquivo cultural contemporâneo, um roteiro oculto que mapeia afinidades e rupturas da cena artística.
No plano pessoal, Gianluca é casado com Sara Bolla e pai de duas meninas. Recentemente, emocionou seguidores ao anunciar, por meio de um post no Instagram, o falecimento de sua mãe Giovanna, aos 65 anos, acompanhando a mensagem com imagens de momentos felizes ao lado dela. A comoção que recebeu nas redes revela a capacidade do público de reconhecer na sua história um eco de perda e resiliência.
Entre suas paixões, destaca-se o basquete — modalidade que não pôde seguir praticando em razão de um problema cardíaco detectado aos 15 anos. Desde então, Gazzoli convive com um desfibrilador implantado no peito. “Transformei isso em um ponto de força para realizar meus sonhos”, disse ele em entrevista. Essa batalha pessoal confere uma camada adicional à sua imagem pública: não apenas um comunicador, mas alguém que reescreve fragilidade em energia criativa.
Como analista cultural, observo que a presença de Gazzoli em Sanremo Giovani não é apenas um movimento de programação: é a confirmação de que a rádio e o mundo digital continuam a ser laboratórios essenciais para a formação do gosto e da carreira musical. Ele encarna a interseção entre memória coletiva, narrativa íntima e a semiótica do viral — um anfitrião que guia talentos e público pelo roteiro muitas vezes incerto da indústria.





















