Gabriele Rizzoli: entre o espelho do nosso tempo e o roteiro de uma nova vida
Por Chiara Lombardi — Aos 20 anos, o romano Gabriele Rizzoli vive um momento que parece cena escrita para sublinhar um talento em ascensão. Em entrevista, saída direto da aula na Academia, ele descreve com a calma intensa de quem já conhece o palco e a câmera o trabalho mais marcante até agora: o jovem rebelde Matteo Moser em Una nuova vita, a fiction de Canale 5 ao lado de Anna Valle e Daniele Pecci.
“Matteo Moser foi o personagem que mais senti”, confessa Rizzoli. “Um rapaz com problemas familiares enormes, distante da minha vivência — uma verdadeira challenge, uma luta interna que precisei encontrar.” Rever-se na versão final da série foi como assistir a um filme sobre si mesmo: “Tive o coração a mil. Não sabia como seria o resultado com a montagem. Vi com minha família e me senti como se tivesse corrido uma maratona, ofegante. Estou satisfeito, sempre há espaço para melhorar”.
A trajetória do ator começou cedo. “Comecei aos 10-11 anos. Na verdade, interpretava desde a escola primária. Lembro-me de uma vez na cantina: comecei a chorar e disse à professora ‘meu pai não existe mais’. Ela ligou para casa apavorada e meu pai, na paz do trabalho, atendeu. Sempre fui atraído por personificar alguém”. O ambiente familiar ajudou: o pai estudou interpretação, atuou como ator, cantor e produtor musical, e levou Gabriele aos bastidores desde pequeno. “Ele fazia turnê; íamos às quatro da manhã. Eu gostava, apesar do cansaço”.
Como quem observa a cena com atenção ao enquadramento, Rizzoli vê carreira como cinema em constante corte e remontagem. Tem planos de transitar entre teatro e cinema sem escolher qual amar mais. “O teatro dá emoções imediatas, o cinema é exaustivo pela espera, mas ver o projeto pronto é uma emoção poderosa. Não saberia escolher, amo ambos”.
Além da atuação, o ator cultiva interesses que desenham uma personalidade multifacetada: paixão pelas artes marciais — chegou a faixa marrom — e pela música. O piano foi seu primeiro amor musical: “Escrevi algumas músicas, até uma para uma garota do fundamental”, diz com um sorriso que lembra cenas de coming-of-age. Essas camadas pessoais transformam-se em recursos quando ele entra em cena, sinalizando um ator que soma memória e técnica.
Se perguntar a um jovem artista com quem gostaria de trabalhar revela desejos de diálogo com a tradição e com o presente: “Ter trabalhado com Gigi Proietti teria sido um sonho”. Para o teatro cita Massimo Popolizio. E no cinema, sem hesitar, aponta Tom Holland como o nome com quem gostaria de contracenar — um convite ao encontro entre a escola italiana e o cinema anglo-americano.
Enquanto o público o conhece como Matteo, Gabriele já está em novo projeto: está filmando uma ficção para a Rai1, cujo título provisório ainda circula nos bastidores. A sensação é de que acompanhamos não apenas um jovem ator em ascensão, mas um espelho do tempo — alguém que reflete inquietações familiares, escolhas de identidade e o desejo de transformar essas tensões em arte.
Rizzoli caminha entre cenas e ensaios como quem monta um filme íntimo: cada personagem é um corte, cada experiência, uma trilha sonora. E, ao mesmo tempo, deixa claro que o roteiro da sua vida artística ainda está aberto, pronto para ser reescrito em diferentes palcos e telas.






















