Por Chiara Lombardi — Hoje, 12, o nome de Franco Nero será inscrito na Walk of Fame de Hollywood, um gesto simbólico que consagra seis décadas de carreira e atravessa os limiares entre memória pessoal e imaginação coletiva. Para Nero, o reconhecimento é a confirmação de que “semear” uma vida artística ao longo de sessenta anos produziu frutos: “È un grande onore riceverlo, vuol dire che ho seminato bene, in 60 anni di vita artistica”.
O ator lembra que compartilha essa honra com alguns dos grandes nomes italianos já celebrados em Los Angeles — de Anna Magnani a Rudolph Valentino, de Sophia Loren a Luciano Pavarotti e Ennio Morricone. Ele recorda em especial a cerimônia ao lado de Morricone, quando Quentin Tarantino fez um discurso tocante.
Quem falará em seu lugar? Nero revela que será Julian Schnabel, diretor com quem trabalhou no filme sobre Dante exibido na Mostra de Veneza. Mas a voz que mais o marcou veio do passado: o conselho de Laurence Olivier, que o aconselhou a variar gêneros para evitar a monotonia — um conselho que guiou Nero através de quase 250 filmes feitos em cerca de trinta nacionalidades.
Há uma ironia sutil na história: apesar do prestígio internacional, em seu país natal Nero confessa sentir-se frequentemente subestimado pelos “circoletti”. Ainda assim, hoje é dia de agradecimentos públicos: ele cita o apoio do subsecretário da Cultura Lucia Borgonzoni e a ajuda de Tiziana Rocca com o Filming Italy Los Angeles.
Sobre o mistério das honras — por que nomes como Al Pacino, Julia Roberts ou Leonardo DiCaprio ainda não têm estrelas? Nero lembra que o ofício do ator depende do lugar e do tempo certos: “È un mestiere in cui devi essere al posto giusto nel momento giusto”. A sorte, segundo ele, conta muito.
O percurso de Nero também é feito de encontros decisivos. Foi John Huston quem o incentivou a estudar inglês ouvindo gravações de peças de Shakespeare, e quem o apresentou a Joshua Logan para o filme Camelot, produção que o lançou internacionalmente e onde conheceu Vanessa Redgrave, sua mulher. Logan, depois de hesitar por causa do inglês de Nero, mudou de ideia ao ouvi-lo declamar versos shakespearianos — e as filmagens se estenderam por onze meses.
Franco também fala sobre o cinema italiano: hoje poucos títulos circulam fora das fronteiras, o que o leva a defender uma volta à mentalidade dos anos 1960 e 70, com coproduções pensadas desde a origem para o mercado internacional. É esse reframe que poderia devolver ao país o papel de vanguarda que já ocupou.
Atualmente trabalhando majoritariamente no exterior, Nero enumera projetos na Austrália (um filme intitulado provisoriamente de Nonno, dirigido pelo italo-australiano Frank Lotito), na Alemanha, na Grécia, na Espanha e na Albânia, onde interpretará um cozinheiro transplantado para a Alemanha. Entre risos, confessa que, na vida real, tem cinco netos e adora o papel de avô — um papel que, confessa, prefere que não seja apenas o título de um filme.
Mais que uma estrela física na calçada de Hollywood, a homenagem a Franco Nero funciona como um espelho do nosso tempo: celebra trajetórias transnacionais, lembranças afetivas e a necessidade de um cinema que saiba conversar com o mundo. É um roteiro onde memória e presente se encontram, e onde a carreira de um ator se transforma em um mapa cultural que atravessa gerações.






















