Por Chiara Lombardi — No espaço íntimo do estúdio, Francesco Oppini abriu uma janela do tempo e falou sobre uma infância marcada pelo olhar público sobre sua mãe, a atriz e apresentadora Alba Parietti. Convidado do programa apresentado por Caterina Balivo, Oppini relembrou episódios de humilhação e isolamento escolar que formam um pequeno roteiro doloroso no arquivo de memórias de quem cresceu sob os holofotes.
“Fui bullyingizado na escola por ‘culpa’ da beleza da minha mãe”, disse Oppini, descrevendo a sequência de ofensas que começou na meia-idade escolar e se acentuou no ensino médio, justamente quando Alba Parietti alcançava grande visibilidade na televisão italiana nos anos 1990. Ele contou que os insultos eram repetitivos e cruéis: crianças traziam jornais com a mãe na capa e transformavam a entrada da escola num momento de alvoroço.
O contraste entre o cotidiano simples de um “garoto do interior”, como ele se definiu — que evitava cigarro e álcool e convivia com um círculo de amigos locais — e a imagem pública glamourosa da mãe, construiu um conflito identitário. “Ela era lindíssima, eu era um rapaz magro e desajeitado; me chamavam de tudo”, recordou Oppini, que ainda narrou comentários humilhantes dirigidos a ele por colegas.
Esse espelho de fama e exposição, segundo Oppini, deixou marcas que não se apagararam facilmente. Mas a notícia carrega também um desfecho resiliente: o jovem procurou ajuda profissional e fez terapia. “Culpei muito minha mãe na época; hoje, com o trabalho psicológico, eu a compreendo de maneira diferente”, afirmou. A capacidade de reframe — reorganizar a narrativa pessoal — surge aqui como um movimento de cura, quase cinematográfico: uma cena onde o protagonista revisita o passado e muda a perspectiva.
Como analista do zeitgeist, é impossível não ver nessa história um eco cultural maior. Filhos de celebridades frequentemente assumem papéis que a sociedade escreve para eles — antagonistas de uma imagem midiática; palcos onde se projetam expectativas, invejas e estigmas. A obsessão por capas de revista que transformavam a entrada da escola em espetáculo revela a semiótica do viral antes mesmo das redes sociais: a celebridade como objeto que redefine relações interpessoais ao seu redor.
O relato de Francesco Oppini ilumina também o papel da empatia e do acompanhamento psicológico diante de traumas sociais. A superação não apaga as cicatrizes, mas permite reinterpretar o enredo pessoal — um clássico arc narrativo tão presente na narrativa cinematográfica quanto em trajetórias reais.
Em suma, a experiência de Oppini é um lembrete de que o entretenimento nunca é apenas diversão; é um espelho do nosso tempo que projeta sombras e brilhos nas vidas mais privadas. E quando a criança por trás da manchete encontra ferramentas para narrar sua própria história, o resultado é um pequeno reframe que transforma dor em compreensão.





















