Por Chiara Lombardi — Em um olhar que mistura cinema e memória, Fabrizio Moro conta sua própria jornada como quem revisita um roteiro que quase foi interrompido. Repescamos a entrevista concedida a Sandra Cesarale e republicada em 16 de março de 2025, quando o cantautor romano se prepara para subir ao palco do Festival de Sanremo no dia 27 de fevereiro, onde dividirá o microfone com Eddie Brock interpretando “Portami via”.
Para marcar as celebrações dos 25 anos de carreira, Moro programou dois concertos em palazzetti: Roma (1º de abril) e Milano (3 de abril). Mas a trajetória não foi uma linha contínua de aplausos. Como num flashback cinematográfico, ele recorda o primeiro disco de 2000 que fracassou, o rompimento quase violento com a gravadora Ricordi e os sete anos de silêncio que se seguiram até o álbum Pensare reavivar sua carreira.
“Abandonei a música por muito tempo”, diz ele com uma franqueza que funciona como um espelho do nosso tempo. Para sobreviver, fez trabalhos braçais — chegou a colocar a guaina nos telhados — e aprendeu a lidar com o vazio de outra forma. Quando a arte perde sua chama, o artista se vê em risco. Foi o que aconteceu: depressão, isolamento, dias longos em casa com o cachorro. “Um pouco como Rocky”, confessa, referindo-se ao conselho de Apollo Creed em Rocky 3 sobre ter perdido os olhos da tigre.
Esse reframe do próprio relato revela a busca de Moro pelo motivo profundo que o movia: ele passou noites revendo vídeos antigos para reencontrar a raiva criativa, aquela “bola de fogo” que o empurrava a compor e a subir em turnês. A virada veio através de uma canção — uma ballad que, nas suas palavras, é a mais bonita que já escreveu. Essa música reacendeu sua vida e decidiu seu retorno aos estúdios.
O próximo álbum, garantido por Moro, deve sair até o fim do ano. É um retorno que não pretende ser apenas um gesto nostálgico, mas um renascimento com sentido. A estrada percorrida — da gaveta ao palco — confirma que seu público seguiu fielmente a narrativa que ele construiu ao longo das décadas, não se tratando de uma moda passageira.
Sobre colaborações e palcos, Moro admite que ainda não pensou em convites formais para os shows comemorativos, embora reconheça o peso da amizade e da técnica quando fala de nomes como Renato Zero. “Ele é o maior artista com quem trabalhei”, diz, lembrando a exigência e o rigor que marcam a prática daquele com quem subiu no Circo Massimo.
Há também uma menção carinhosa ao filho Libero, que no passado ajudou a tirar o cantor de uma crise profunda. Hoje, aos 50 anos (completados em 9 de abril de 2025), Moro não apenas festeja uma meia-idade simbólica: ele celebra a reinvenção. A sua história funciona como uma pequena aula sobre como a arte pode vacilar, desaparecer e, ainda assim, ressurgir com nova potência. É o eco cultural de uma vida que insiste em compor sua própria trilha sonora.
Em resumo: Fabrizio Moro volta ao fluxo criativo, com um novo disco no horizonte, dois concertos de celebração e a consciência de quem já viu o auge e o vale — e voltou para contar a história.






















