Hoje, se estivesse entre nós, Fabrizio Frizzi completaria 68 anos. O apresentador romano, lembrado por público e colegas como o verdadeiro volto buono da televisão, deixou um vazio profundo quando faleceu em 26 de março de 2018, vítima de uma hemorragia cerebral. Seu legado, porém, permanece vivo como um espelho do nosso tempo, reflexo de uma época em que a televisão ainda cultivava a ternura pública.
O carinho e a presença afetiva de Frizzi foram lembrados nas redes por Carlo Conti, que compartilhou uma foto ao lado do amigo com a mensagem: “Buon compleanno amico mio”. O gesto reverberou entre admiradores e colegas, ressoando como um refrão que insiste em manter sua memória nos palcos e nas telas. No Festival de Sanremo do ano passado, Conti, junto com Antonella Clerici e Gerry Scotti, prestou homenagem ao apresentador ao interpretar “Un amico in me“, canção que Frizzi havia interpretado anteriormente — um reframe emotivo que transformou o palco num altar de lembranças.
Houve dois grandes amores na vida de Frizzi: Rita Dalla Chiesa e Carlotta Mantovan. O primeiro casamento com Dalla Chiesa começou em 1992; o relacionamento terminou de fato em 1998, com o divórcio formalizado em 2002. Mesmo após o fim matrimonial, Rita manteve com Fabrizio uma relação marcada por respeito e admiração. Em entrevista a Monica Setta no programa “Storie al bivio”, Dalla Chiesa confessou: “Quando ele morreu eu estava destruída… a sua leveza, o seu amor terno me devolveram à vida. Perdi-o duas vezes: quando nos separamos e quando ele se foi” — palavras que soam como uma narrativa íntima, eco cultural de uma perda irreparável.
O segundo grande amor surgiu num cenário quase cinematográfico: Carlotta Mantovan era concorrente do concurso Miss Italia em 2001 quando iniciou um vínculo profissional que se transformou em relação afetiva. Do encontro nasceu Stella, filha do casal, em 2013, e, em 2014, o casamento consolidou essa família que passou a integrar a biografia pública de Frizzi com discreta ternura.
Mais que celebridade, Fabrizio Frizzi foi uma figura que encarnou um tipo de apresentação televisiva hoje quase arqueológica: aquela que priorizava empatia, cuidado e uma espécie de proximidade humana que ultrapassava roteiros. Ele não era apenas o apresentador; era o ponto de encontro entre a câmera e a audiência, o roteiro oculto de uma sociedade que buscava, na leveza, um remédio para os ruídos do cotidiano.
Ao recordar Frizzi neste dia, o gesto público de amigos como Conti e as memórias partilhadas por colegas e ex-parceiros iluminam não só a trajetória pessoal, mas a semiótica do apelo emocional que ele representava. Sua imagem — o famoso volto buono — permanece como um espelho das expectativas afetivas que depositamos em vozes públicas: afeto, confiabilidade e aquela sensação reconfortante de retorno ao lar.
Que o aniversário celebrado nas redes e nas lembranças seja também um convite a refletir sobre o que a figura de Frizzi nos diz hoje: sobre a importância da ternura na esfera pública, sobre a forma como guardamos memórias coletivas e sobre como o entretenimento, quando sincero, atua como um mapa sentimental de uma sociedade em transformação.






















