Faltando poucos dias para o início oficial das Olimpíadas Inverno Milano Cortina 2026, a expectativa em torno da Cerimônia de Abertura realizada no San Siro em Milão só cresce. Pela primeira vez, a inauguração promete ser uma cerimônia difusa, com cenas e performances ao vivo que irão se espalhar também por Cortina, Livigno e Predazzo, em um formato que se recusa a ficar preso a um único estádio — um pequeno reframe do que significa celebrar em rede no século XXI.
Entre os nomes já confirmados para o palco milanês estão artistas de renome internacional e vozes que traduzem diferentes camadas da cultura contemporânea: Mariah Carey, Andrea Bocelli, Laura Pausini, Pierfrancesco Favino, Sabrina Impacciatore e Ghali. Também fazem parte do elenco a atriz Matilda De Angelis, a mezzosoprano Cecilia Bartoli e o pianista Lang Lang. A lista, porém, pode não estar completa — há indicações de que nomes internacionais adicionais podem ser divulgados em cima da hora, seguindo a tradição dos grandes eventos ao vivo.
O cerne artístico e simbólico da noite foi resumido pelo conceito escolhido para a festa inaugural: Harmonia. Marco Balich, Creative Lead do evento, sintetizou a proposta ao dizer que “a Cerimônia de Abertura não é apenas um exercício de tecnologia ou espetacularidade. É sobretudo um relato feito de pessoas e emoções”. Em outras palavras, a ambição é construir um discurso que funcione como um espelho do nosso tempo — uma tentativa de oferecer, mesmo que por algumas horas, um roteiro de unidade e beleza num mundo complexo.
Do ponto de vista estético e narrativo, a presença de vozes como as de Mariah Carey e Andrea Bocelli aponta para um encontro entre o ícone pop global e a tradição lírica; a inclusão de artistas italianos contemporâneos como Ghali e Matilda De Angelis reforça a intenção de mapear uma Itália plural, que fala tanto com a memória quanto com as ruas. Já a escala simbólica de nomes como Cecilia Bartoli e Lang Lang adiciona densidade clássica e virtuosidade ao que promete ser um espetáculo híbrido.
É interessante pensar nessa cerimônia como um pequeno set cinematográfico: costura-se uma mise-en-scène que busca traduzir a narrativa coletiva de paz e diálogo — a tal “Harmonia” — usando estrelas cujo apelo atravessa gerações e geografias. Há um roteiro oculto aqui, que não se limita ao entretenimento; trata-se de uma performance que pretende ressoar com memórias, identidades e a geopolítica cultural da Europa e do mundo.
Mesmo com o elenco já anunciado, resta o elemento surpresa — e essa incerteza é parte do fascínio de eventos desse porte. Alguns nomes internacionais podem surgir próximo à data, garantindo que a cerimônia mantenha uma cara viva, reagente às dinâmicas últimas do mercado e da cultura pop.
Em resumo, a abertura em San Siro se projeta como um encontro entre espetáculo e significado: uma ocasião para ver e ser visto, mas também para refletir sobre o que é celebrado quando celebramos o esporte e a comunidade global. A noite de 6 de fevereiro de 2026 promete ser, ao mesmo tempo, show e manifesto — um eco cultural que dialoga com a ideia de que grandes eventos têm sempre algo a dizer sobre o tempo em que ocorrem.
- Quando: 6 de fevereiro de 2026
- Onde: Estádio San Siro, com ações em Cortina, Livigno e Predazzo
- Tema: Harmonia
- Artistas confirmados: Mariah Carey, Andrea Bocelli, Laura Pausini, Pierfrancesco Favino, Sabrina Impacciatore, Ghali, Matilda De Angelis, Cecilia Bartoli, Lang Lang
Como observadora, prefiro olhar além do tapete vermelho: a cerimônia é um espelho cultural que nos diz mais sobre quem somos e sobre quem aspiramos ser. Em tempos de polarizações, escolher “Harmonia” como fio narrativo é também um gesto estético e político — um convite para ver o espetáculo como um ponto de encontro entre passado, presente e projeções futuras.





















