Eros Ramazzotti e Alicia Keys foram anunciados como os super convidados da terceira noite do 76º Festival de Sanremo, a edição marcada para a quinta-feira do festival. O anúncio foi feito pelo diretor artístico e apresentador, Carlo Conti, em entrevista ao Tg1 das 20h, confirmando uma novidade que transforma a noite num pequeno evento dentro do evento.
Segundo Conti, será a primeira vez que os dois artistas dividirão o palco juntos ao vivo, num que ele definiu como uma “anteprima mondiale”. O encontro revisita uma história já conhecida do público: Ramazzotti e Alicia Keys já haviam registrado um dueto no célebre tema de Eros, “L’Aurora“, mas nunca antes haviam sacramentado essa parceria em uma performance ao vivo conjunta. A expectativa, portanto, mistura nostalgia e novidade — como um filme que reconta uma cena memorável sob uma nova luz.
Para Eros Ramazzotti, a participação em Sanremo assume também um significado comemorativo: o artista celebrará os 40 anos da vitória entre os Campioni com a canção “Adesso Tu“. Trata-se de um gesto simbólico que conecta a memória coletiva da canção italiana com a contemporaneidade globalizada da música pop.
Na véspera da terceira noite, Carlo Conti, Laura Pausini e os 30 concorrentes do festival serão recebidos no Quirinale pelo presidente da República, Sergio Mattarella. “Sarà un momento emozionante, un grandissimo onore, per noi per Sanremo e per l’intera discografia italiana”, declarou Conti, sublinhando o peso institucional e simbólico do encontro entre o palco e a Casa do Estado.
Como observadora do nosso tempo e do painel cultural que Sanremo oferece, vejo neste anúncio mais do que uma simples atração de gala: é um pequeno espelho do fluxo musical entre Europa e Estados Unidos, uma semiótica do encontro que atesta como identidades musicais conversam e se reescrevem. A colaboração entre um ícone da canção italiana e uma voz emblemática do soul e do pop norte-americano funciona como um reframe da história — recupera memórias e as submete a um novo enquadramento, apresentando ao público uma narrativa renovada sobre legado e presente.
O que esperar dessa terceira noite, então? Além do espetáculo em si, a performance promete ser um momento de cruzamento de audiências e referências, onde o roteiro oculto da música popular revela laços históricos e emocionais. Para o público italiano e internacional, restará a expectativa de ver como a partitura — literal e simbólica — será tocada ao vivo.
Enquanto nos preparamos para essa anteprima mondiale, Sanremo reafirma seu papel de palco-reflexo: um lugar onde a canção se transforma em comentário cultural, e onde cada convidado carrega, junto da voz, um fragmento da nossa memória compartilhada.





















