Enrica Bonaccorti é a convidada desta quinta-feira, 12 de fevereiro, no estúdio de Caterina Balivo em La volta buona, programa exibido pela Raiuno. Aos 76 anos, a apresentadora retorna ao centro da cena pública enquanto atravessa um período delicado: desde setembro passado luta contra um tumor ao pâncreas, diagnóstico que abriu uma nova e difícil página em sua vida.
Há meses Bonaccorti partilhou nas redes sociais o que vinha guardando para si. Em uma publicação no Instagram, ela revelou a doença e, com a franqueza que lhe é característica, mencionou também a perda de Eleonora Giorgi, amiga atriz que faleceu em março aos 71 anos vítima de um câncer de pâncreas. A imagem que acompanhou a mensagem — Enrica numa cadeira de rodas empurrada pela filha Verdiana — sintetizou o contraste entre fragilidade e presença: a apresentadora explicou que, por quatro meses, se esquivou até mesmo dos amigos, acreditando que o silêncio pudesse dissipar o que havia acontecido.
“Não sei o que dizer, mas aconteceu”, escreveu ela, e confessou que só agora, ao tornar público o problema, sentiu um alívio interior: “não farei mais a avestruz, tenho vontade de voar de novo com vocês”. Essa imagem de um voo interrompido e retomado funciona como um espelho do nosso tempo: celebridades tornam suas lutas privadas em narrativas públicas que ressignificam a relação entre memória, vulnerabilidade e espetáculo.
Em sua recente participação no programa Verissimo, conduzido por Silvia Toffanin em 25 de janeiro, Enrica foi franca sobre o curso do tratamento: o tumor ainda não apresentou redução perceptível e ela retornou à quimioterapia. “Estou bem, mas no momento sinto dificuldade”, disse a apresentadora, descrevendo dias de alternância entre momentos melhores e outros mais difíceis. A honestidade dessa fala desmonta a ilusão de uma recuperação linear e nos aproxima da realidade clínica, onde o progresso é frequentemente irregular.
Como analista cultural, observo nessa narrativa mais do que um boletim de saúde: há um roteiro oculto sobre como lidamos com doença e visibilidade. A presença de Enrica no sofá de Caterina Balivo não é apenas um episódio televisivo; é um pequeno refrão na história coletiva sobre envelhecimento, cuidado filiado e a semiótica do viral—onde cada gesto e cada palavra se tornam dispositivo de empatia e de debate público.
Na entrevista de hoje, esperamos ouvir tanto atualizações médicas quanto reflexões pessoais: a coragem de transformar dor em diálogo e a defesa de que a contabilidade emocional da doença também faz parte do repertório humano que a televisão, por vezes, tem a coragem de mostrar.
Chiara Lombardi para Espresso Italia — observando como o entretenimento continua a ser o espelho do nosso tempo.






















