Por Chiara Lombardi — Em um movimento que soa como um refrão íntimo e insistente, Endi libera hoje em todas as plataformas digitais o novo álbum «Canzoni d’amore». O projeto, que já tem o single «Desideri» em rotação nas rádios e com vídeo online, funciona como um espelho da complexidade afetiva contemporânea, onde o rap assume a voz principal para decifrar as mutações do amor.
O EP reúne faixas cantadas pelo rapper em colaboração com nomes relevantes do cenário musical italiano: «L’amore è un’illusione» com Jessica Morlacchi, «Piove a dirotto» com Davide De Marinis, «Resta qui» com Beatrice Pezzini e «Dylan Dog» com Esa. Essas parcerias não são meros convidados de passagem; são pontos de luz que ampliam a paleta emocional do disco, como se cada voz acrescentasse uma lente diferente ao mesmo retrato.
Segundo o próprio artista, «Canzoni d’amore» compila canções escritas ao longo de anos — fragmentos nascidos em momentos distintos, mas unidos por um fio condutor: o desejo de traduzir o sentimento amoroso em termos do universo hip hop. Aqui, o amor é trabalhado em variações: do ímpeto inicial ao afeto mais íntimo, da espera à perda, do resgate da memória ao impulso do desejo. Cada faixa funciona como uma fotografia de estação, marcada pelo tempo em que foi concebida, e ao mesmo tempo dialoga com as demais para formar um relato coerente e sensível.
Em termos narrativos, o álbum desenha um percurso de transformação: a experiência amorosa evolve e, com ela, muda também quem ama. É um reframe — o roteiro oculto que revela como as relações reconfiguram identidades, ritmos e memórias. Ao ouvir, o público encontra espaço para se reconhecer, se confrontar ou simplesmente ouvir uma história que espelha fragmentos de sua própria vida.
Enrico Petillo, conhecido artisticamente como Endi, nasceu em Milão em 1986 e mergulhou na cultura Hip Hop aos 16 anos. Atuante no circuito independente italiano, já lançou os álbuns «Il Canto del diavolo», «Ci vorrebbe la felicità» e «Sognando ancora», trabalhos que incluíram colaborações com Amir, Daniele Vit, Diluvio, Rayden e Nerone. Em 2019, veio a parceria que marcou um primeiro recorte afetivo de sua discografia, «L’Amore è un’illusione» com Jessica Morlacchi. Sua trajetória editorial incluiu ainda «Qualcosa Cambierà», enquanto em 2021 e 2023 lançou singles que anteciparam e alimentaram o discurso emocional deste novo EP — entre eles, «Resta qui» (com Beatrice Pezzini) e «Piove a dirotto» (com Davide De Marinis), seguido de «Dylan Dog».
Mais do que um conjunto de músicas, «Canzoni d’amore» se apresenta como um pequeno ensaio sonoro sobre afetos que resistem e se transformam. É a semiótica do viral aplicada ao íntimo: cada faixa propõe um olhar que ultrapassa o beat para tocar memórias coletivas e privadas. Para quem acompanha a evolução do rap italiano, o álbum de Endi confirma uma vontade clara de explorar territórios emocionais sem abandonar o rigor narrativo e estético do gênero.
Ouça «Canzoni d’amore» nas plataformas digitais e acompanhe o single «Desideri» nas rádios e no vídeo oficial — um convite para mapear, em música, as esquinas do afeto contemporâneo.






















