Por Chiara Lombardi, Espresso Italia
Em uma conversa franca no podcast de Victoria Cabello, Emma Marrone voltou a abordar seu relacionamento passado com Stefano De Martino, afirmando de forma categórica: “Non ci tornerei mai insieme” — “não voltaria jamais”. O depoimento reverbera como um pequeno espelho do nosso tempo, onde romances privados foram projetados sob holofotes e acabaram por moldar trajetórias públicas.
A história entre Emma e Stefano começou em 2009, nos corredores da escola de talentos de Maria De Filippi, Amici. Eram jovens artistas em ascensão: “fomos juntos num período em que as nossas vidas estavam a explodir”, recorda a cantora salentina, definindo o apresentador hoje como o seu “namorado do colégio“. A lembrança tem a doçura e a inocência de um primeiro ato, mas também a sombra de uma crise que se tornaria emblemática para ambos.
O término, em 2012, foi marcado por uma ferida pessoal que ganhou repercussão pública: o fim se deu, em grande parte, devido à traição envolvendo Belen Rodriguez. Emma descreve o desfecho como “turbolento” e ressalta o peso dos holofotes e das outras pessoas envolvidas. “Não é a primeira história que acaba por causa de adultério, mas tínhamos 20 anos”, disse, apontando para a juventude como fator que amplificou o sofrimento e as consequências.
Do ponto de vista profissional, a cantora traça um paralelo direto entre o episódio e a sua carreira: “Eu estava nas capas de todos os jornais. Isso me atrasou a carreira por pelo menos 5 ou 6 anos”. A frase revela como o circuito midiático pode funcionar como uma narrativa paralela — um roteiro imposto que nem sempre respeita a verdade íntima e que exige anos para ser reescrito. “Para sair daquela coisa e me tornar credível, demorei anos”, acrescenta Emma, numa autocrítica que mistura resistência e reconstrução.
Hoje, a relação entre os dois se reorganizou: longe da paixão e dos escândalos, restou uma amizade consolidada. “Ci vogliamo bene“, disse Emma, destacando que eles se encontram frequentemente, têm amigos em comum e convivem em jantares ou ao acaso nas ruas. “Somos amigos; não há nada mais bonito do que recuperar a parte mais bonita do nosso relacionamento. Cada um tem o seu caminho, e nos queremos bem.”
Enquanto observadora cultural, vejo neste reencontro algo como um reframe da realidade: o que antes era um folhetim virou uma sequência mais calma e coesa, onde a memória ocupa lugar de ensino. A trajetória de Emma é também a história daquela geração que aprendeu, sob a exposição, a renegociar sua própria identidade pública. A cantora não fala como uma vítima solitária, mas como alguém que reclamou tempo e credibilidade, e que hoje contempla o passado sem a necessidade de reencenar as velhas dores.
O episódio no podcast confirma que, para além das manchetes, há sempre camadas de sentido — e que o entretenimento funciona muitas vezes como um espelho do nosso tempo. Emma e Stefano representam, então, um pequeno estudo de caso sobre como a vida pública pode ferir e, depois, permitir alguma cura social: uma amizade retomada, um capítulo fechado sem revisitar as feridas.






















