Por Chiara Lombardi — O Festival de Sanremo 2026 promete não apenas premiações e fados modernizados, mas também uma injeção de puro entretenimento: Elettra Lamborghini, após atuar como co-apresentadora em 2025, retorna ao palco do Ariston não em silêncio, mas com toda a sua energia e ironia. A artista italiana anuncia Voilà, uma canção feita “para o palco, para o ritmo, para o corpo” — e reafirma: “vou fazer vocês dançar”.
Escrita em parceria com Andrea Bonomo, Edwyn Roberts e Pietro Celona, Voilà se apresenta como uma ode à leveza, navegando por sonoridades que remetem, com astúcia pop, a referências tão díspares quanto ABBA e Raffaella Carrà. A escolha não é casual: em tempos de notícias angustiantes, Elettra opta pela dança como antídoto. “Por que não?”, ela pondera — um refrão que funciona como manifesto. A proposta é simples e ambiciosa: trazer alegria num cenário cultural e informativo que, para ela, está saturado de tragédias e negatividade.
Em declarações que soam quase como um roteiro de resistência emocional, Elettra confessa ter se tornado mais sensível com o passar dos anos. A exposição constante às más notícias — guerras, feminicídios, assaltos e tragédias como a de Crans-Montana — a deixou inquieta. “Foi horrível, chorei uma semana; podia ter sido eu”, contou, lembrando da vulnerabilidade compartilhada pela geração. Diante disso, sua resposta não é fuga, mas responsabilidade: usar sua inclinação à alegria como forma de entretenimento e afeto coletivo. “Se eu tenho esse lado de leveza, quem deve exercê-lo se não eu?”, questiona.
O retorno de Elettra Lamborghini ao Festival não se limita a um single: na noite dos duelos, marcada para sexta-feira, 27 de fevereiro, ela subirá ao palco com o trio feminino espanhol Las Ketchup para interpretar “Aserejé”, o hit de 2002 que virou fenômeno global e um dos primeiros exemplos modernos de canção que se tornou viral sem redes sociais. Elettra lembra com carinho da memória coletiva: “Eu era criança e todos cantavam — estava em todo lugar”. A parceria com Las Ketchup é, assim, parte da visão que ela quer imprimir no Ariston: carnaval de memórias pop e presença contagiante.
Filha de Tonino Lamborghini e neta de Ferruccio, nascida em Bolonha em 1994, Elettra construiu sua trajetória para além do rótulo de herdeira. Programas como Riccanza, Gran Hermano VIP e até experiências internacionais como Geordie Shore ajudaram a esculpir um personagem público reconhecível, que depois migrou para a música com estreia em 2020 com “Musica”. Sua carreira pop, longe de ser um capricho, revela entendimento do espetáculo e de como se posicionar num cenário midiático saturado — um verdadeiro reframe: a performance como espelho do nosso tempo.
Em Sãoremo, a promessa é clara e quase coreografada: devolver ao público a vontade de dançar. No roteiro oculto da sociedade contemporânea, onde informação e espetáculo convivem tensos, Elettra Lamborghini prefere responder com ritmo e leveza. Porque, como ela mesma colocou, viver e celebrar mesmo diante do ruído é um gesto político e estético. Preparem-se: o Ariston pode ser redescoberto como pista de dança.






















