Por Chiara Lombardi — Entre o brilho do palco e o zelo do descanso, a rotina de um festival revela seu lado menos fotogênico. A cantora Elettra Lamborghini, atualmente em competição no Festival de Sanremo com o tema Voilà, publicou um desabafo nas redes sociais após uma noite sem dormir, resultado da música alta vinda de festas próximas ao hotel onde estão hospedados os artistas.
Segundo as mensagens publicadas na plataforma X (antigo Twitter), a artista reclamou da impossibilidade de descansar: “Fate abbassare la musica ai festini di fianco agli hotel dove alloggiano i cantanti vi prego la musica é devastante”, escreveu Elettra Lamborghini, que repetiu a queixa também no Instagram, citando a hora exata — 3h16 da manhã — como prova do incômodo.
Traduzindo a urgência da postagem: a cantora pediu respeito para os artistas que trabalham durante o dia entre entrevistas e ensaios e chegam ao hotel exaustos. “Siamo tutti stanchi morti ma cosí é impossibile dormire giuro” — um lamento que ecoa como um pedido de decência num cenário em que a festa e o trabalho se sobrepõem.
O episódio é um lembrete de como o festival, visto de fora como um grande espetáculo, é também um microcosmo onde se choca o glamour com a logística cotidiana. A imagem do Ariston e das luminárias de Sanremo frequentemente funciona como um espelho cultural: ali se projetam aspirações, tensões e, neste caso, o atrito entre a celebração pública e a necessidade privada de repouso.
Para além do desconforto imediato, a reclamação de Elettra Lamborghini levanta questões sobre a organização das áreas de convivência durante eventos de grande porte. Quem tem prioridade quando a proximidade física transforma a música numa invasão do espaço íntimo? Qual o limite entre a festa que celebra a cidade e o respeito pelos profissionais que dali participam?
Há ainda um componente simbólico: artistas que se apresentam no palco do Ariston tornam-se por um breve momento o roteiro público de emoções de todo um país, mas também pedem — com o mesmo vigor com que defendem suas performances — a possibilidade de recuperar forças. O incidente revela, portanto, o roteiro oculto da vida em festival, onde o cansaço físico e mental precisa ser administrado entre luzes, entrevistas e, ironicamente, festas que não permitem dormir.
Enquanto a cidade segue em seu ritmo festivo, o apelo de Elettra Lamborghini pode ser lido como um pedido por civilidade: reduzir o som após a meia-noite seria um gesto mínimo de respeito que ressoa além do caso individual, tocando no equilíbrio entre público e privado num evento que é, por essência, uma vitrine cultural.
Em termos práticos, resta aguardar se a organização do festival ou as autoridades locais vão agir para mitigar o problema — e se as festas ao redor do hotel vão mesmo abaixar o volume. No palco, entretanto, a disputa segue: o público vai ouvir Voilà e julgar a performance; nos bastidores, artistas como Elettra Lamborghini esperam apenas poder recarregar as energias necessárias para o dia seguinte.



















