Por Chiara Lombardi — Em uma noite que funcionou como um espelho do gosto televisivo italiano, Don Matteo 15 reafirmou seu domínio e venceu a disputa do prime time de quinta-feira, 12 de fevereiro. A série protagonizada por Raoul Bova atraiu 3.790.000 espectadores, alcançando um expressivo 23,2% de share. Mais do que números, trata-se de um fenômeno que reflete um apelo narrativo sólido em tempos de fragmentação de audiência.
No segundo lugar ficou a cobertura esportiva: a transmissão do Patinaggio su Ghiaccio vinculada às Olimpiadi Milano-Cortina 2026 na Rai2 reuniu 2.413.000 telespectadores, com 11,3% de share. O contraste entre drama ficcional e espetáculo esportivo revela o roteiro oculto da sociedade, onde memória coletiva e eventos em direto disputam a atenção do público.
Em Canale5, o tradicional noticiário satírico Striscia la Notizia marcou média de 1.773.000 espectadores e 11,7% de share. Já a proposta cultural de Rai3, com o programa Splendida Cornice, envolveu 961.000 espectadores (6,1%). A noite também trouxe debates e jornalismo de profundidade: Piazzapulita na La7 registrou 795.000 espectadores e 5,7% de share.
O cinema em canal aberto manteve presença: Italia1 exibiu Mission: Impossible – Protocollo fantasma, acompanhado por 787.000 espectadores e 4,8% de share, enquanto Rete4 com Dritto e Rovescio anotou 764.000 espectadores e 5,9% de share. Os números mostram um mosaico de escolhas — entretenimento, esporte, informação — cada um ocupando seu espaço na paisagem midiática.
No segmento de access prime time, a batalha entre jogos e tradicionais programas de entretenimento segue acirrada. Affari Tuoi (Rai1) manteve uma performance robusta com 4.876.000 espectadores e 22,6% de share, enquanto La Ruota della Fortuna (Canale5) ficou perto, com 4.664.000 espectadores e 21,6% de share. Esses números lembram que o prelúdio da noite é, muitas vezes, o que prepara o público para o grande título da programação — como a trilha de um filme que anuncia a cena principal.
Como analista cultural, olho para esses dados não apenas como estatísticas, mas como pistas sobre o imaginário coletivo. O triunfo de Don Matteo confirma a persistência de narrativas que combinam tradição e contemporaneidade; já o resultado das Olimpiadi Milano-Cortina demonstra o poder de eventos ao vivo para mobilizar audiências, mesmo em um cenário multiplataforma.
Em suma, a noite de 12 de fevereiro desenhou um mapa onde ficção, esporte e informação coexistem e se revezam no protagonismo. Se a televisão é um palco, ontem vimos uma cena bem ensaiada: protagonistas conhecidos, públicos fiéis e, acima de tudo, um roteiro que continua a contar algo sobre quem somos e sobre as memórias que escolhemos compartilhar.






















