Na noite de quinta-feira, 8 de janeiro, a Rai 1 estreia a 15ª temporada da longeva série Don Matteo, agora com Raoul Bova no papel do padre protagonista. A transição de protagonistas — quando don Massimo substituiu o icônico Don Matteo de Terence Hill — não é apenas uma mudança de rosto, mas um pequeno reframe do imaginário televisivo italiano: um novo olhar sobre a mesma igreja, a mesma praça, o mesmo roteiro social.
Entre as curiosidades que circulam antes da nova leva de episódios, algumas já são parte do folclore da série: a revelação do verdadeiro nome do novo pároco, a história de fãs que sequer distinguem ficção de confissão, e pequenos ajustes de roteiro que mostram como a produção segue se adaptando. Aqui, uma leitura em dez pontos — um pequeno dossiê que é, ao mesmo tempo, guia de estreia e reflexo cultural.
10 segredos (e pistas) sobre Don Matteo
- Troca de protagonista: Raoul Bova assume como don Massimo Sartori, figura que herdou a centralidade deixada por Terence Hill. A passagem de bastão é tratada com delicadeza narrativa, quase como uma continuidade de personagem em um roteiro coral.
- O nome verdadeiro: o verdadeiro nome de don Massimo — Matteo Mezzanotte — foi revelado por um personagem criminoso na última temporada, um detalhe que conecta mistério e identidade: um pequeno gatilho para a mitologia da série.
- O sobrenome que mudou: ajustes toponímicos e onomásticos ao longo das temporadas mostram como a série negocia tradição e atualização, mudando pequenos detalhes sem perder o núcleo afetivo que amarra o público.
- Fã que queria ser confessada: histórias de espectadores que confundem a tela com a experiência real (como a famosa fã que pediu para ser confessada) revelam o papel da série como espelho moral e guia simbólico para gerações.
- Spoleto como cenário: a ambientação em Spoleto continua sendo um personagem não dito: praças, igrejas e ruas compõem um cenário que dialoga com a memória coletiva e dá à trama sua textura visual.
- Formato resiliente: ao longo de 15 temporadas, o formato — mistura de mistério, comédia leve e drama social — provou ser elástico o suficiente para acompanhar mudanças culturais sem perder a identidade.
- Temas sociais: apesar do verniz familiar, os episódios frequentemente abordam temas contemporâneos, funcionando como um roteiro oculto da sociedade que atravessa fé, justiça e convivência.
- Participações e cameos: a série sempre mantem pequenas participações que funcionam como placas sinalizadoras de tempo, conectando o público a atores e rostos conhecidos do panorama televisivo.
- Trilha e tom: a música e a cadência narrativa continuam a marcar a tonalidade entre o pastoral e o policialesco leve — um equilíbrio que sustenta a empatia com personagens e conflitos.
- Apelo intergeracional: de espectadores que cresceram com Don Matteo a novos públicos que chegam pela atualidade do elenco, a série trabalha como um laço entre memórias privadas e um imaginário coletivo.
Ver Don Matteo hoje é observar um eco cultural: não apenas acompanhar as pequenas tramas semanais, mas ler o serial como um espelho do nosso tempo — onde a igreja é cenário, a vida cotidiana é roteiro e a ficção ensaia respostas para dilemas reais. A 15ª temporada promete reafirmar esse papel, com Raoul Bova levando adiante uma tradição que não se esgota por nostalgia, mas se reinventa em cena.
Chiara Lombardi — La Via Italia: entre o cinema e a praça, uma leitura crítica do que o entretenimento nos devolve sobre nós mesmos.































