Por Chiara Lombardi — A terceira temporada de Cuori voltou a ocupar o centro do palco televisivo e venceu a batalha do prime time com autoridade. Exibida ontem na Rai1, a série reuniu 2.923.000 espectadores, alcançando 17,8% de share. É uma vitória que fala tanto ao coração da audiência quanto ao roteiro oculto da televisão contemporânea: entretenimento que reflete memórias e expectativas coletivas.
No segundo lugar da noite ficou Canale5 com o especial do game show Chi Vuol Essere Milionario – Il Torneo, comandado por Gerry Scotti, que atraiu 1.984.000 espectadores e marcou 15,5% de share. O formato competitivo segue funcionando como um espelho do nosso tempo — conforto familiar e tensão bem dosada, uma fórmula que ainda prende audiências.
Completa o pódio Che Tempo Che Fa, no Nove, com 1.560.000 espectadores (8,6%), por pouco à frente de Report, na Rai3, que anotou 1.530.000 espectadores (8,5%). A proximidade entre os dois programas sugere um público dividido entre análise crítica e conversa cultural, dois modos diferentes de interpretar o cenário social.
Outros resultados da noite mostram a diversidade do cardápio televisivo: Le Iene, na Italia1, registrou 1.137.000 espectadores (9,6%); Fuori dal Coro, na Rete4, alcançou 742.000 (5,9%); e o filme Mio padre è un sicario, na Rai2, ficou com 650.000 espectadores (3,4%).
Nas posições finais da lista, La7 exibiu Misery non deve morire para 294.000 espectadores (1,6%) e Tv8 exibiu Il giustiziere della notte com 252.000 espectadores (1,4%). Esses números lembram que, mesmo no streaming, o ecossistema linear ainda reserva nichos com público fiel.
No acesso ao prime time, a disputa foi praticamente um duelo técnico: Affari Tuoi na Rai1 atraiu 4.705.000 espectadores (23,4% de share), ligeiramente à frente de La Ruota della Fortuna em Canale5, com 4.674.000 espectadores (23,2%). A diferença, petita mas decisiva, ilustra como hábitos de consumo se consolidam em microflutuações de audiência.
Como analista cultural, vejo essa noite de resultados como um pequeno filme em três atos: a reconfirmação de um drama de época que conversa com afetos ( Cuori 3 ), a presença consoladora dos grandes formatos de entretenimento (o torneio de Gerry Scotti), e a persistente demanda por jornalismo e debate que questiona e contextualiza (Report e Che Tempo Che Fa).
O quadro geral reforça um diagnóstico: o público busca tanto espelhos quanto roteiros alternativos — programas que o reconheçam e, ao mesmo tempo, o provoquem. Na tela, como no palco da cidade, estamos todos interpretando versões da mesma história coletiva.






















