Costa Crociere consolida sua presença em Sanremo como algo que vai “além do Festival”: é uma estratégia que conecta música, turismo e responsabilidade social para ampliar o potencial do território. Em entrevista, o CEO Mario Zanetti ressaltou que a participação da companhia no evento resulta de uma cooperação duradoura com a cidade e com as instituições locais, uma sinergia construída ao longo dos anos que busca, segundo ele, “construir experiências e momentos que valorizem as especificidades e a unicidade do território”.
Essa intenção programática não se limita à presença física das embarcações ou à marca em anúncios: traduz-se em ações práticas entre o palco e a cidade. Zanetti explicou que a iniciativa cria “momentos estudados para oferecer a cruzeiristas, turistas e residentes uma moldura que antecipa e acompanha as fases do Festival, tornando tudo ainda mais icônico”. Aqui, a imagem do evento como um “espelho do nosso tempo” se reflete em como o turismo cultural pode atuar como roteiro oculto da sociedade, onde entretenimento e economia local se retroalimentam.
Importante lembrar a dimensão social dessa parceria quinquenal. Neste ano, a colaboração ganhou uma faceta de solidariedade com uma iniciativa envolvendo o Hospital e a Fundação Gaslini de Gênova. A companhia recebeu a bordo um jantar de gala com o objetivo de arrecadar fundos — uma ação que Zanetti descreveu como uma verdadeira “chicca”, por combinar prestígio, propósito e visibilidade no momento em que a cidade se abre ao mundo com o Festival.
Ao valorizar as “excelências do território lígure” e envolver o setor social, a parceria pretende gerar benefícios que ultrapassam fronteiras locais e alcançam o sistema de saúde italiano como um todo. É a tradução prática de um conceito que poucas empresas conseguem executar com elegância: transformar um grande evento cultural em plataforma de impacto real, mantendo o encanto e o marketing, sem perder a robustez do engajamento comunitário.
Mas por que esse movimento importa para além da retórica institucional? Porque fala da capacidade do turismo cultural de narrar uma cidade — de fazer com que Sanremo não seja vista apenas como cenário do Festival, mas como protagonista de experiências tangíveis. Em termos semióticos, cada concerto, cada passeio, cada jantar beneficente constitui uma cena do roteiro coletivo que redesenha a memória e a identidade locais.
Como observadora do zeitgeist, vejo nessa sinergia entre Costa Crociere e Sanremo um modelo de “reframe da realidade”: o entretenimento deixa de ser apenas espetáculo para se tornar um mecanismo de valorização territorial e de solidariedade. Essa prática — cuidadosa, estética e estratégica — confirma que o turismo contemporâneo bem-sucedido é também uma forma de curadoria cultural.
Em resumo, a presença de Costa Crociere no Festival de Sanremo chama atenção não só pela visibilidade imediata, mas pelo roteiro oculto que propõe: experiências icônicas, diálogo com a comunidade e ações que reverberam no tecido social. É o tipo de alinhamento entre economia, cultura e responsabilidade que merece ser observado como caso exemplar no mapa europeu do turismo cultural.






















