Corinne Clery, atriz francesa conhecida por sua carreira no cinema europeu, voltou a falar publicamente sobre o afastamento de seu filho Alex durante sua participação no programa Verissimo, exibido neste sábado. Em um depoimento que mistura desabafo e estratégia legal, Clery revelou que nomeou um tutore legal como sua forma de proteção após anos de conflito familiar que atravessam frentes emocionais e patrimoniais.
Segundo a atriz, a origem do rompimento tem ligações econômicas: em 2013, ela transferiu todos os seus bens para o filho após enfrentar uma grave doença e temer por sua vida. “Eu no 2013 lhe doei tudo, tive uma doença feia e tive medo de não resistir, então coloquei tudo em nome do meu filho”, relatou. Hoje, essa decisão se transformou em fonte de tensão. No dia 5 de fevereiro houve uma audiência sobre o casale onde Clery reside — imóvel que está registrado no nome de Alex — e, segundo a atriz, o filho tentou vendê-lo, numa atitude que ela descreve como uma tentativa de “tirar tudo” dela.
Como resposta, a atriz decidiu delegar a defesa de seus interesses a um representante legal: “Ho deciso di incaricare un legale come mio unico tutore” — uma decisão motivada também pelo impacto do caso envolvendo Vittorio Sgarbi, que a deixou assustada sobre eventuais vulnerabilidades de pessoas públicas. “O caso de Vittorio Sgarbi me chocou. Hoje durmo tranquila, porque sei que há alguém que me defende e ninguém, legalmente, pode me tocar.”
Clery também comentou sobre uma ação judicial movida por seu próprio filho: ela foi denunciada por difamação. A atriz negou as acusações de violência física surgidas em matérias jornalísticas, afirmando que nunca houve agressão física, mas reconheceu ter sofrido “muitas violências psicológicas” por parte de Alex. Esse ponto abre uma reflexão complexa — a tensão entre narrativa pública, imagem e dor privada — onde o espetáculo midiático se choca com os bastidores de uma família em ruína.
Na fala final, Corinne Clery mostrou um deslocamento emocional que revela tanto cansaço quanto resistência: “Basta lamentar, basta pensar que está tudo errado. Não há mais esperança para a mãe que fui, mas hoje não há nem raiva. Eu sou uma guerreira, aconteceu assim… paciência.” Há aqui uma cena quase cinematográfica: a protagonista que, sem trilha sonora triunfal, escolhe a sobriedade da sobrevivência. É o roteiro oculto da vida real, onde o eco cultural das decisões financeiras se torna também um espelho do nosso tempo.
Além do aspecto pessoal, o caso toca questões mais amplas: a fragilidade de artistas mais velhos diante de disputas patrimoniais, os limites da confiança familiar e o papel do direito na proteção de autonomia e dignidade. A nomeação de um tutore legal funciona, nesse sentido, como um mecanismo de reframe — uma intervenção institucional que reconfigura poder e proteção em um cenário que, culturalmente, muitas vezes romantiza a família como porto seguro.
Enquanto a batalha judicial prossegue, Corinne Clery opta por um silêncio que não é capitulação, mas recalibração. Sua narrativa pública convida a olhar além das manchetes: há uma história sobre envelhecer sob os holofotes, sobre as escolhas que tomamos em momentos de medo e sobre como a cultura e o direito se articulam para (ou contra) a manutenção da identidade. Em última análise, o episódio nos lembra que, por trás de qualquer manchete, há sempre um roteiro humano em construção.






















