Claudio Lippi, o veterano apresentador italiano de 80 anos, fez sua primeira entrada pública nas redes sociais com um vídeo direto ao ponto: «estou vivo, não estou em terapia intensiva». A aparição virtual sucede sua participação por videochamada no programa Falsissimo e chega como um sinal de reaproximação com o público após anos de silêncio.
No vídeo, Lippi explicou que decidiu criar o perfil no Instagram em grande parte por incentivo e “insistência” de sua filha, Federica. Brincando com bom humor, disse: “Se eu não fizer isso, risco penas corporais” — uma frase que dissolve a seriedade do tema com a leveza típica de quem conhece o palco e a câmera.
O objetivo declarado por Lippi é duplo: falar de televisão e resgatar o contato com as pessoas. “Espero que fique claro que o Instagram é um modo de me sentir vivo, porque sou vivo; saudável talvez não tanto, mas estou vivo”, afirmou. Ele também agradeceu a Fabrizio Corona, lembrando que Corona abriu esse caminho com coragem — uma referência que mistura reconhecimento e polêmica, típica do ecossistema midiático contemporâneo.
Num recorte que vale como diagnóstico cultural, Lippi observou que muitos profissionais descobriram nas redes sociais “uma janelinha”: a televisão continua sendo um instrumento extraordinário, mas “não é tudo” — há mecanismos e “circolini” por trás das câmeras. Com a elegância crítica de quem leu o roteiro da comunicação moderna, ele preferiu não se aprofundar naquele momento, deixando a observação como convite para futuras conversas.
O apresentador brincou que tem “uma longa história para contar” e que, se começar a fazê-lo agora, talvez não termine nem “no Ferragosto” — uma hipérbole que sugere materiais, memórias e um repertório que atravessa décadas da cultura televisiva italiana. Para quem acompanha o fenômeno da migração de rostos da TV tradicional para o universo das redes, a movimentação de Lippi é roteiro exemplar: o talento busca novos palcos e a audiência reencontra um espelho do seu próprio tempo.
Após anos de silêncio, Claudio Lippi vê no Instagram uma ferramenta para recuperar o diálogo com aquilo que para ele é vida: o público. Em sua declaração há tanto a reafirmação de presença física quanto uma reflexão sobre o papel da mídia na construção de memória coletiva — afinal, a televisão e as redes desenham, em conjunto, a semiótica do nosso viral cotidiano.
Publicado originalmente em 3 de fevereiro de 2026, o vídeo marca o início de uma nova etapa para Lippi, que promete dividir lembranças, análises e, possivelmente, críticas sutis ao mundinho dos bastidores. Para o espectador atento, é também uma lembrança de que o entretenimento raramente é apenas entretenimento: trata-se do roteiro oculto que nos ajuda a ler a própria sociedade.






















