Por Chiara Lombardi – A comédia que virou fenômeno cultural atravessou as telas e o imaginário coletivo: em apenas 24 dias de exibição, Checco Zalone e seu Buen Camino estabeleceram um novo marco no cinema italiano. A produção dirigida por Gennaro Nunziante, distribuída pela Medusa Film e produzida pela Indiana Production em parceria com a Medusa e a MZL, soma agora €68.823.069 arrecadados — superando o recorde anterior de Avatar, que registrava €68.600.000.
Os números, por si só, já contam uma história de êxito: 8.562.320 espectadores em pouco mais de três semanas, um começo explosivo desde o dia de Natal até 17 de janeiro, e a perspectiva clara de que o total continuará crescendo enquanto a obra mantém boa distribuição nas salas de toda a Itália. Mas o que torna este triunfo mais do que uma simples estatística é o roteiro oculto que ele revela sobre a relação entre público e representações sociais.
No dia de Natal de 2025, Buen Camino fez €5.671.922, conquistando o melhor desempenho histórico do mercado italiano em um dia de Natal e superando o antigo recorde de ‘Natale a New York’ (2006). Com uma participação de mercado de 78,8% na jornada de 25 de dezembro, a comédia puxou o total do box office nacional acima dos €7 milhões — um patamar não visto desde 2011 — e, no dia 26, voltou a impressionar ao quase alcançar €8 milhões, levando o acumulado dos dois primeiros dias a quase €14 milhões.
Na segunda semana, o filme já ultrapassava a marca de €53 milhões, deixando para trás os sucessos anteriores do próprio Zalone, como ‘Sole a Catinelle’ e ‘Tolo Tolo’, e acelerando rumo a uma liderança inédita. Com o feito de agora superar Avatar, Buen Camino não é apenas o maior sucesso financeiro do cinema em solo italiano: é um espelho do nosso tempo, capaz de provocar risos enquanto reinicia o debate público sobre desigualdade, riqueza e representações sociais.
Essa comédia — e não é a primeira vez que Zalone acerta nesse ponto — desempenha o raro papel de entreter sem abrir mão de sensibilidade e inteligência. Ao colocar no centro questões contemporâneas, o filme reframeia o espaço da sala de cinema como um ágora moderna, onde o riso funciona como lente para observar tensões sociais e memórias coletivas.
Do ponto de vista do mercado, o impacto é evidente: Buen Camino reaviva o interesse do público pelo cinema italiano, incrementando a bilheteria geral e demonstrando que produções locais ainda têm força para competir com grandes colossos internacionais. Culturalmente, confirma que o cinema — quando conversa com o presente com inteligência e coragem — pode se tornar um verdadeiro roteiro de transformação.
Enquanto os números continuam subindo, resta acompanhar os próximos capítulos dessa trajetória: se o palco é nacional, a ressonância desse sucesso certamente terá ecos além-fronteiras, consolidando a obra de Zalone como um dos episódios mais relevantes do entretenimento italiano recente.




















