Por Chiara Lombardi — Em um gesto que mistura curiosidade e nervosismo, Chanel Totti, a filha caçula de Ilary Blasi e Francesco Totti, entra no mapa televisivo ao participar da nova temporada de Pechino Express. A jovem, que completa 19 anos em maio, chega sem maquiagem, de cabelos soltos e um moletom oversized, pronta para mostrar o que sempre manteve em reserva: sua voz, seus passos e a própria presença no cenário público.
Famosa por nascer sob os holofotes — “famosa quando ainda estava na barriga”, como se disse na entrevista — Chanel assume que nunca pensou em uma trajetória televisiva tão precoce. “Não era algo que eu planejasse. No caso de Pechino Express, tudo começou como uma brincadeira: o Filippo Laurino me arrastou. Fizemos o teste por curiosidade; até o fim eu pensei que fosse piada”, conta.
O formato do programa, que a partir de 12 de março estará disponível na Sky e Now, expõe os concorrentes a uma espécie de roteiro sem ensaio — correr, aceitar comidas exóticas, implorar uma carona, buscar onde dormir enquanto atravessam Indonésia, China e Japão. Para Chanel, a experiência funciona como um laboratório de identidade: longe do filtro e da montagem, um espelho do nosso tempo que testa limites e revela nuances.
Ao falar do futuro, a jovem é pragmática: estuda comunicação na universidade e prefere manter os planos em aberto. “Estou concentrada nos estudos. Ainda sou nova e não tenho tudo definido”, diz. Essa postura de recuo é coerente com a imagem que vem cultivando: perfil reservado nas redes, fotos selecionadas no Instagram e pouca exposição da vida íntima.
Nas perguntas sobre nascer em uma família tão conhecida, Chanel demonstra uma serenidade que lembra quem aprendeu a conviver com projeções desde cedo. “Viver com esse rótulo não é simples. Há quem se aproxime pensando em ‘tirar proveito’, mas já aprendi a selecionar as pessoas; tenho meu círculo de amigos de sempre”, explica. Essa consciência social evidencia um reframe da realidade: fama como obstáculo e lente, não destino.
Sobre acusações de ‘ser indicada’ — tema recorrente quando filhos de figuras públicas entram em projetos — a jovem responde com franqueza: “Recomendada? Até certo ponto. Depois, você precisa se virar sozinha”. É uma linha tênue entre herança e mérito, um debate que traduz a semiótica do viral na era dos legados familiares.
Por fim, a entrevistada tocou na questão delicada da separação dos pais. Chanel reconhece que o processo “não foi fácil”, mas ressalta que esteve ao lado de ambos: “Foi complicado, mas eu apoiei os dois”. A fala é emblemática: uma jovem que, no roteiro oculto da vida pública, escolhe a empatia como reação — e a privacidade como proteção.
Assistir a Chanel Totti em Pechino Express significa acompanhar mais que provas e paisagens exóticas: é observar o desenrolar de uma personalidade em transição, um eco cultural que dialoga com identidades herdadas e reinventadas. Para quem vê o entretenimento como espelho, sua entrada no programa é menos uma estreia e mais um sinal de tempo — uma cena do grande filme coletivo que estamos rodando agora.






















