Hoje, domingo, 1º de fevereiro, a coreógrafa e capitã da bancada de jurados do Ballando con le stelle, Carolyn Smith, volta ao estúdio de Verissimo para conversar com Silvia Toffanin. Não é apenas uma visita de cortesia: é o encontro entre uma figura pública que transformou sua dor em narrativa e a audiência que acompanha, há anos, o seu percurso público e íntimo.
Em um testemunho que carrega a densidade do tempo, Carolyn Smith falará sobre os mais de dez anos de combate a um intruso que mudou a sua vida — o câncer de mama, diagnosticado em 2015. A coreógrafa já havia revelado, em uma aparição anterior no programa, que faz quimioterapia a cada três semanas: “Cada três semanas tenho de fazer a quimio, mas já me acostumei”, disse ela em 25 de janeiro de 2025. Essa rotina médica é parte do novo normal que muitos pacientes aprendem a habitar.
O percurso de Carolyn é marcado por recidivas e recomeços. Após o diagnóstico inicial, a doença apresentou uma recidiva em 2017. Segundo a própria coreógrafa, o tumor voltou a se manifestar no verão de 2022, exigindo, novamente, a retomada de tratamentos agressivos. Em sua fala sincera, ela definiu 2024 como “o ano mais difícil” dessa década de luta — um reminder de que a trajetória oncológica não é linear, mas feita de picos de sofrimento e de períodos de estabilização.
Atualmente, os médicos consideram a situação estável. Ainda assim, foi identificado um linfonodo no pulmão, que, segundo os especialistas, “não é nada de grave”. Essa nuance — a coexistência entre o alívio da estabilidade e a vigilância constante — compõe o tom ambíguo da narrativa de quem convive com o câncer de longo curso.
Mais do que um relato biográfico, a presença de Carolyn em Verissimo funciona como um espelho social: a sua história provoca reflexões sobre como nossas sociedades lidam com doença, visibilidade e resiliência. Como analista cultural, enxergo nessa conversa a semiótica do viral transformada em cuidado: a artista mantém a sua voz pública sem reduzir a complexidade do sofrimento a um rótulo apelativo.
Para os espectadores e seguidores de Carolyn Smith, a entrevista é um convite ao entendimento do câncer não como um ponto final, mas como um capítulo numa narrativa contínua. É também uma oportunidade para reafirmar a importância da informação, do acompanhamento médico especializado e do apoio coletivo — o roteiro oculto que sustenta quem enfrenta a doença.
Hoje, no estúdio de Silvia Toffanin, espera-se uma conversa franca, emotiva e carregada de significado: a coreógrafa que durante anos orientou passos no palco agora descreve os seus próprios passos para a cura, com a elegância e a coragem que a tornaram referência no cenário do entretenimento europeu.






















