Por Chiara Lombardi — Em uma mistura de humor e estratégia de imagem, Carlo Conti revelou que o ator turco Can Yaman será um dos co-apresentadores do Festival de Sanremo na primeira noite da edição 2026. O anúncio, feito nas redes sociais, foi acompanhado por uma montagem curiosa: o diretor artístico publicou uma imagem editada em que surge vestido como um improvável — e divertidíssimo — Sandokan, personagem que voltou às telas com a participação do astro turco.
Na publicação, Conti aparece autodenominando-se “Carlokan” e acompanhado da palavra “co-co”, indicando que o ator estará entre os co-condutores que subirão ao palco do Ariston. Segundo a organização, a participação de Can Yaman está prevista para a primeira noite do festival, na terça-feira, 24 de fevereiro de 2026.
O ingresso de Yaman ao elenco de apresentadores amplia ainda mais a diversidade do cartaz concebido por Carlo Conti. Já confirmados para todas as cinco noites estão figuras como Laura Pausini, enquanto Achille Lauro ocupará o posto de co-condutor em outra das seratas. A presença do ator turco chega em um momento em que sua imagem pública ganhou recente atenção após um episódio policial em Istambul — uma detenção e posterior soltura durante uma operação antidroga — e agora se reflete numa escolha carregada de significado midiático.
Como analista cultural, é impossível não ver nesta movimentação o reflexo de um roteiro maior: Sanremo funciona como espelho do nosso tempo, onde melodrama, política de imagem e internacionalização do entretenimento se encontram. A entrada de Can Yaman — símbolo de uma popularidade transnacional fomentada por séries e campanhas digitais — evidencia o desejo do festival de dialogar com uma audiência mais ampla e cosmopolita. O meme de Conti, ao vestir-se de Sandokan, atua como uma pequena mise-en-scène que reescreve a narrativa do acontecimento, transformando um anúncio institucional em performance cultural.
Há também uma camada simbólica: trazer um rosto tão reconhecível do universo televisivo turco para o palco do Ariston é um gesto que costura laços entre geografias narrativas distintas, reframeando a península italiana como um espaço ainda atraente para vozes estrangeiras. É o tipo de escolha que estimula debates sobre fama, circulação de celebridades na era digital e o roteiro oculto da indústria do entretenimento.
Resta acompanhar como será a recepção do público durante a noite inaugural, e se o episódio de Istambul terá alguma reverberação no palco ou apenas servirá como um capítulo anterior de uma trajetória que, agora, encontra novo palco. Enquanto isso, o anúncio de Can Yaman confirma que Sanremo segue sendo mais do que um festival de música: é um fenômeno cultural, onde gestos aparentemente simples — como um meme — podem redesenhar expectativas e narrativas.
Data do anúncio: 2 de fevereiro de 2026.






















