Bruce Springsteen lançou uma canção inédita em resposta à onda de violência policial em Minneapolis, descrevendo o que chamou de “terrorismo de Estado”. Em publicação nas redes, o cantor afirmou: “Sábado eu escrevi essa música, a gravei ontem e publiquei hoje em resposta ao terror de Estado na cidade de Minneapolis.”
O compositor dedicou o novo tema — intitulado “Streets of Minneapolis” — “à população de Minneapolis, aos nossos vizinhos imigrantes inocentes e à memória de Alex Pretti e Renee Good”. Ao encerrar a mensagem, Springsteen deixou o recado conciso: “stay free” — permaneçam livres.
No texto da canção, há menções contundentes: fala-se em um “exército privado de Trump”, em cidadãos que se levantam pela justiça e, de forma direta, nomeiam as vítimas. Versos finais ecoam como um refrão de memória coletiva: “Aqui, em nossa casa, vagavam e matavam, no inverno de ’26. Lembraremos os nomes dos que morreram nas ruas de Minneapolis.”
Como observadora do cenário cultural, não posso deixar de notar que este episódio ultrapassa a esfera do entretenimento: a música funciona como um espelho do nosso tempo, um clipe sonoro que transforma dor pública em lembrança e convocação. A decisão de Springsteen — artista cuja trajetória sempre dialogou com o tecido social americano — age como um reframe da realidade, colocando o pop/rock no centro do debate sobre Estado, violência e responsabilidade.
É significativo que o artista escolha a forma mais direta e imediata da canção: escreveu no sábado, gravou no dia seguinte e publicou sem demora. Esse ritmo impresso ao processo criativo é a tradução musical de uma reação urgente — o roteiro oculto da sociedade que exige resposta imediata quando instituições falham.
Além do conteúdo político explícito, “Streets of Minneapolis” cumpre uma função memorial: nomear Alex Pretti e Renee Good é impedir que seus nomes se percam entre manchetes. Em termos semióticos, a nomeação transforma vítimas em referência, e a canção em instrumento de testemunho. Quando um artista do calibre de Springsteen fala em “terrorismo de Estado”, acresce peso simbólico e amplia o alcance do debate para além das fronteiras dos Estados Unidos — um eco cultural que ressoa também na Europa.
Por fim, a resistência que a música convoca não é apenas um chamado às ruas: é um apelo à memória, à Justiça e à solidariedade com comunidades imigrantes atingidas pela ação do ICE. Em tempos em que imagens e sons viralizam num piscar de olhos, a canção funciona como um refrão que insiste em não deixar o acontecimento cair no esquecimento — um verdadeiro mapa afetivo e político das ruas de Minneapolis.
Chiara Lombardi — Espresso Italia






















