Por Chiara Lombardi para Espresso Italia — O fenômeno pop Blanco confirmou em suas redes sociais que está de volta com um novo álbum. A postagem, acompanhada por três imagens de forte impacto que podem antecipar um videoclipe, traz palavras que soam como um manifesto de reinvenção: ‘Sono emozionato, sta arrivando un disco importante’, escreveu ele, em italiano, abrindo uma janela íntima sobre o processo criativo.
Na publicação, Blanco descreve sentimentos contraditórios — ‘feliz, vazio e leve’ — e revela que uma das faixas o fere profundamente: ‘um pezzo in particolare mi fa male e non so come sarà cantarlo davanti ad altre persone’. Essa confissão de vulnerabilidade se mistura com a energia crua do artista: ‘Altri non vedo l’ora di saltare come un bastardo e lanciarmi in mezzo alle mamme… Ho voglia di vedervi. Sono 3 anni di stop, sono 3 anni che non salgo su un palco, e nonostante gli errori ho ancora voglia di spaccare tutto’.
Essa última frase — ‘ho ancora voglia di spaccare tutto’ — ressoa como um refrão e recupera, de forma velada, o episódio de 7 de fevereiro de 2023 no Festival de Sanremo, quando Blanco destruiu parte da cenografia floral após sua performance de ‘L’isola delle rose’. Aquele momento, que mobilizou críticas e debate público, tornou-se um ponto de inflexão na trajetória do cantor: um ato performático que mistura ruptura estética e conflito com expectativas do espetáculo.
Além do anúncio musical, surgiram nas redes imagens que inquietaram fãs: uma foto em que Blanco aparece nu, mas pixelado, contraído em um grito dentro de um quarto de hospital. O registro acendeu especulações sobre seu estado de saúde. Nos meses anteriores, ele já havia cancelado shows em setembro por motivos de saúde, descrevendo em voz própria ‘problemas de saúde’ sem detalhar a natureza, e assegurando que não se tratava de algo grave.
O retorno anunciado carrega, portanto, camadas simbólicas. Não se trata apenas de um lançamento; é o reencontro de um artista com plateias e com uma narrativa pública marcada por polêmica e pausa. Como observadora do zeitgeist, vejo esse movimento como um reframe da sua própria história: o novo álbum pode funcionar como um espelho do nosso tempo — uma obra que negocia culpa, cura e espetáculo, enquanto reconstrói o diálogo entre artista e público.
Para os fãs, a expectativa é dupla: a curiosidade pelo conteúdo musical e a tensão pelo impacto ao vivo. Blanco mesmo admite medo — especialmente ao pensar em cantar ao vivo a faixa dolorosa —, mas contrapõe isso à urgência de pular, de se lançar no público. É essa ambivalência que torna seu retorno um roteiro oculto da cultura pop contemporânea: uma mistura de confissão, performance e estratégia emocional.
Em suma, o anúncio de Blanco não é apenas o lançamento de um novo álbum; é a promessa de um reencontro que pretende transformar a fratura pública em performance e, talvez, em redenção artística. Aguardamos sinais do primeiro single e do possível videoclipe — imagens que já fazem eco cultural nas redes e nas conversas sobre música italiana atual.






















