Por Chiara Lombardi — Em um encontro que soa como um intertítulo no roteiro do nosso zeitgeist, Carlo Conti revelou, em participação no programa Cinque minuti, que Bianca Balti estará de volta ao palco do Festival de Sanremo na noite de sexta-feira. “Sarei felice di ospitare di nuovo nella serata del venerdì Bianca Balti che tornerà dopo un anno per raccontarci questo anno di grande forza e di grande energia”, disse Conti — uma promessa que transforma a presença da modelo numa espécie de espelho do nosso tempo, onde imagem e narrativa pessoal dialogam com a cena pública.
Ao ser questionado sobre a comparação com as treze edições de Pippo Baudo — a quem esta edição presta homenagem — Conti responde com a elegância de quem conhece o peso do palco: “Mi bastano questi cinque, per ora mi fermo. Certo ‘del doman non c’è certezza’… Ma una cosa è certa, dopo questi due anni mi fermo un attimo”. A afirmação é ao mesmo tempo um ato de humildade e um refrão sobre os limites do espetáculo, lembrando que o grande palco também pede pausas.
Em tom de curadoria cultural, Conti listou os nomes que brotaram sob sua direção: Ermal Meta, Francesco Gabbani, Irama, Mahmood e Serena Brancale — artistas que, segundo ele, surgiram das “nuove proposte” e hoje ocupam espaços decisivos no repertório italiano. “Sono stati anni particolarmente fortunati”, admitiu, sublinhando o papel do festival como incubadora e espelho de tendências musicais e sociais.
Sobre a direção artística desta edição, Conti destacou a intenção de montar “una bella squadra” com mundos diversificados, mas com um fio condutor claro: Laura Pausini. “Quest’anno il filo conduttore sarà Laura Pausini, questa grande star che tutto il mondo ci invidia”, afirmou — um gesto simbólico que conecta o festival a uma estrela de projeção global, como se Sanremo quisesse reforçar seu estatuto de vitrine europeia.
Houve também menção ao momento institucional: a primeira vez de Sanremo em audiência com o Presidente Mattarella, que “ha detto parole importantissime per tutto il settore” — uma cena que põe o entretenimento no mapa das prioridades culturais nacionais.
Sobre a presença de Andrea Pucci, Conti explicou que o convite foi feito em plena autonomia: “aveva ricevuto il biglietto d’oro all’Arena di Verona, a Zelig, riempie i teatri, fa ridere”. A hesitação de Pucci, segundo Conti, é uma escolha pessoal — um medo que o próprio apresentador relaciona ao episódio de Crozza, mostrando como o palco público carrega riscos e sensibilidades.
Em um comentário que cruza cronologia e semiótica do hit, Conti observou que hoje a palavra mais recorrente é menos o “amore” e mais o “fastidio”, sinalizando como um refrão repetido pode virar tormentone e saturar o imaginário coletivo. Sobre a predominância masculina no pódio da última década, Conti espera um contrassenso nos resultados vindouros, lembrando também dos especiais de reprise — Sanremo Top — que revisitarão as classificações.
Para encerrar com um gesto de memória viva, Conti adiantou uma das surpresas: a presença, na primeira noite, de uma senhora de 106 anos que, 80 anos atrás, votou pela primeira vez no referendo de 2 de junho de 1946. “Le chiederemo cosa aveva votato”, disse ele — uma sequência que transforma o palco em arquivo, onde a história íntima soma-se ao espetáculo público.
Em suma, a aparição de Bianca Balti no Ariston é mais do que um retorno de estrela: é um pequeno reframemento da narrativa de Sanremo, onde imagem, memória e palco se entrelaçam para contar o roteiro oculto da nossa atualidade.






















