Bianca Balti volta ao palco do Festival de Sanremo 2026. A top model de Lodi descerá os degraus do Ariston nesta sexta-feira, 27 de fevereiro, como convidada especial, acompanhando o apresentador Carlo Conti e a artista Laura Pausini. O anúncio veio pelo próprio diretor artístico durante o programa de Bruno Vespa, Cinque Minuti, onde Conti contou que ela vai ‘contar este ano de grande força e energia’, um retorno que carrega tanto brilho quanto uma história íntima de resistência.
Desde a divulgação, a presença de Bianca Balti no festival assume um significado que ultrapassa o glamour habitual. Diagnosticada com câncer ovariano em estágio três, em setembro de 2024, a modelo transformou sua jornada numa narrativa pública, dividida com seus seguidores nas redes sociais. A condição, as intervenções médicas e a vida após o diagnóstico foram mostradas sem franqueza encenada: a cabeça raspada, a cicatriz da cirurgia, as lágrimas e os momentos de silêncio foram parte de uma cronologia que ela escolheu não ocultar.
Em um post no Instagram na noite de 31 de dezembro, Bianca Balti confessou que 2025 a ‘quebrou, mas que ainda está em pé’, listando mês a mês o que viveu — da última sessão de quimioterapia aos novos tratamentos, do colapso físico e emocional às pequenas vitórias cotidianas. A declaração ecoa como um roteiro íntimo, onde a protagonista reescreve a própria cena central.
Aos momentos mais difíceis, ela se apoiou em uma rede de afeto: filhas, amigas, pais e o namorado Alessandro Cutrera. Em suas palavras, o diagnóstico foi comunicado numa madrugada, e a primeira ligação foi para o pai na Itália, numa escolha que revela a intenção de preservar os outros do peso da notícia. Ela falou sobre o longo caminho à frente, mas também sobre a certeza de que ‘vai dar certo’ — motivação para suas filhas, para seus entes queridos e para quem busca força emprestada nas redes.
O retorno ao Ariston tem uma camada simbólica adicional. Bianca Balti já havia iluminado o Festival em 2025, quando atuou como coapresentadora ao lado de Nino Frassica e Cristiano Malgioglio. Hoje, voltar em 2026 como convidada significa transformar o palco num espelho do nosso tempo: uma vitrine onde beleza, vulnerabilidade e coragem se encontram e convocam empatia coletiva.
Para quem acompanha cultura pop e memória coletiva, o episódio funciona como uma pequena parábola sobre visibilidade e doença na era das redes. A passagem da modelo pelo festival não é apenas um momento pessoal, é um reframe sobre a forma como consumimos histórias de superação, e sobre como o entretenimento pode ser também um espaço de representação e acolhimento.
Na voz de Chiara Lombardi, que observa o zeitgeist entre um café em Milão e uma estreia em Roma, o retorno de Bianca Balti ao palco do Festival é mais do que imagem: é a imagem em movimento de uma mulher que transforma adversidade em presença ativa. É o pequeno roteiro oculto da sociedade que se revela no centro das luzes do Ariston, lembrando que a cultura popular muitas vezes funciona como um espelho, refletindo feridas e forças.
Ao longo da noite, haverá espaço para emoção, lembrança e celebração. O público verá não apenas uma estrela da moda, mas alguém que escolheu narrar a própria luta e, com isso, oferecer um pouco de força a quem observa. O gesto de subir ao palco é hoje um ato de coragem e de partilha que reverbera muito além do Festival.






















