Por Chiara Lombardi — Em um diálogo que misturou sinceridade e autocrítica, a apresentadora e showgirl Belén Rodríguez foi a convidada do programa dominical Che tempo che fa, conduzido por Fabio Fazio, e falou abertamente sobre os últimos anos de sua vida e sobre a próxima participação na noite das duplas no Sanremo. A conversa revelou tanto fragilidades pessoais quanto gestos de gratidão profissional, compondo um retrato íntimo que funciona como um espelho do nosso tempo.
Sem rodeios, Belén contou que viveu “três a quatro anos muito difíceis”: períodos marcados por um estado de atordoamento que, desta vez, se reflete publicamente. “Acontece, faz parte”, disse ela, recordando uma entrevista que preocupou os fãs. A artista explicou que, em outras ocasiões, essas sensações a levavam a descansar; naquele episódio específico, porém, por causa do trabalho e do desejo de não dizer não, manteve-se ali, em cena. “Quando vi como tinha saído, senti-me pequena — é como se despir”, confessou, numa imagem que revela o custo de permanecer sob as luzes.
O diálogo também passou por um gesto simbólico que acompanha sua imagem pública há anos: o famoso tatuagem da farfallina que ficou em evidência em 2012, quando coapresentou o festival. Rindo com leveza, Belén observou que a borboleta “se alargou” com as gestações — um comentário que mistura humor e realidade corporal, lembrando que a biografia física das mulheres muitas vezes entra no roteiro público de maneira quase caricatural. “É o corpo que conta uma história”, parecia dizer seu sorriso.
Entre memórias e agradecimentos, Belén Rodríguez fez questão de citar três mulheres que foram decisivas em sua trajetória: Maria De Filippi, Simona Ventura e Mara Venier. Sobre Maria, destacou sua mente estratégica e uma capacidade quase psicológica de orientar: “Com ela aprendi a pensar de forma construtiva. Sempre que converso com Maria, saio com uma nova lição”. Essa deferência traça um mapa de mentorias femininas que sustentaram seu percurso na televisão italiana.
Ao final, a apresentadora tocou em um detalhe de cidadania: ainda não possui o passaporte italiano. Brincou sobre seu casamento — e o divórcio solicitado antes de completar cinco anos —: “Não fui nem esperta! Por que vocês não me dão? Eu gostaria de levar meu filho para a América”. A queixa, dita com leveza, revela um nó burocrático que mistura vida privada, maternidade e mobilidade global.
O depoimento de Belén funciona além da anedota: é um recorte do que significa ser figura pública hoje — uma narrativa onde imagem, corpo e legislação se entrelaçam. Em poucas frases, ela abre uma janela para o “roteiro oculto” que acompanha celebridades, lembrando que a plateia vê o resultado final, mas raramente percebe o backstage emocional. Em tempos de festival e aparições ao vivo, essas confidências nos convidam a olhar com mais empatia para o espetáculo da vida.
Belén volta em breve ao palco do Sanremo, não apenas como presença de beleza e estilo, mas como personagem que carrega história, contradições e uma capacidade de transformação — exatamente o tipo de eco cultural que transforma eventos em marcos coletivos.






















