Por Chiara Lombardi — A contagem regressiva para o half-time show do Super Bowl ganhou uma nota íntima e festiva com as palavras de Benito Antonio Martínez Ocasio: Bad Bunny não quer barreiras linguísticas no seu espetáculo — quer corpos em movimento. Em entrevista ao Apple Music com Zane Lowe e Ebro Darden, o artista porto-riquenho antecipou que a sua apresentação no Levi’s Stadium, em Santa Clara, será, acima de tudo, uma grande celebração.
“Quero apenas que as pessoas se divirtam. Vai ser uma festa enorme. Quero trazer tudo isso para o palco, muito da minha cultura. Não quero dar spoilers. Será simples: as pessoas só precisam se preocupar em dançar”, disse o cantor, quebrando a expectativa de que o show exigiria compreensão do espanhol. “Sei que disse que teriam um mês para aprender espanhol, mas na verdade não é necessário. É melhor que aprendam a dançar. Não há dança mais bonita do que a que nasce do coração.”
Depois de conquistar o Grammy de Álbum do Ano, Bad Bunny chega ao Apple Music Super Bowl LX Halftime Show com a missão de traduzir a sua trajetória e a comunidade latina para um palco global. O artista prometeu convidados, família e amigos ao seu lado, e ressaltou que a comunidade latina no mundo inteiro estará representada: “Todos aqueles que me param na rua e me desejam o melhor estarão comigo. Sei que o mundo ficará feliz nesta domingo. Vão dançar e se divertir.”
É curioso observar esse gesto performático: enquanto seu show se anuncia como inclusivo e eminentemente físico, sua música — segundo reportou o Guardian — já provocou um movimento inverso no público global. Muitos fãs passaram a estudar o espanhol por causa de suas canções; surgiram vídeos nas redes sociais traduzindo letras, porto-riquenhos explicando gírias, e relatos de seguidores que documentam seus progressos com a língua. A cena funciona como um espelho do nosso tempo: a cultura pop reconfigura identidades e cria pontes, ora com o ritmo, ora com a palavra.
Em meio a toda a visibilidade, Bad Bunny não deixou de mencionar a sua referência mais pessoal: a mãe. “Minha maior apoiadora é minha mãe. Ela acreditou em mim como pessoa, nas minhas opiniões, nas minhas decisões, no meu gosto. Acreditou que eu poderia ser uma boa pessoa, inteligente, talentosa. Não é que ela achasse que eu fosse um grande artista — acreditava que eu fosse uma grande pessoa. Essa sensação vale mais do que qualquer outra coisa.”
O episódio também lembra o teatro político que envolve a indústria do entretenimento. Meses antes, para cutucar posicionamentos públicos, o cantor chegou a provocar os americanos a aprenderem espanhol, uma alfinetada dirigida até a rivais políticos. Agora, porém, seu convite é mais inclusivo: venha dançar. Esse gesto atua como um reframe da realidade — transformar potencial tensão cultural em celebração coletiva, usando a dança como idioma universal.
O show ocorrerá na noite de domingo (horário italiano) no Levi’s Stadium, em Santa Clara, Califórnia. O novo álbum do artista foi lançado em 6 de fevereiro, coroando um período de intensa produção e reconhecimento. Para além do entretenimento, o espetáculo promete ser também um pequeno manifesto sobre pertencimento e visibilidade latino-americana num dos palcos mais assistidos do planeta.
Em suma: prepare os passos — não é necessário dominar o vocabulário, mas sim deixar o corpo responder ao ritmo. É no movimento que se encontra o ponto de ligação entre artistas e público, numa performance que se espera como um verdadeiro espelho cultural do nosso tempo.






















