Por Chiara Lombardi — Em um momento que parecia extraído de um roteiro íntimo, Antonella Clerici interrompeu a rotina habitual do seu programa e falou com franqueza sobre uma condição que a acompanha há anos. Durante a edição exibida em 29 de janeiro de È sempre mezzogiorno, a apresentadora confessou: “Tenho dificuldade para respirar, peço desculpas” — um suspiro e uma explicação que transformaram a cozinha em palco de um pequeno espelho do nosso tempo.
Aos espectadores acostumados à simpatia direta da apresentadora, Clerici explicou que convive com um problema no diafragma há bastante tempo. Antes de detalhar, fez um longo suspiro e pediu desculpas, antecipando que poderia soar diferente: “Vocês vão perceber que estou um pouco em sofrimento”. Em seguida contou que, em dias como aquele, sente um incômodo que torna a respiração mais difícil e provoca dor intensa — um desconforto que pesa mais quando o dia exige muito de sua voz e energia.
Não é a primeira vez que a apresentadora aborda publicamente essa condição. Em 23 de setembro, Antonella Clerici já havia esclarecido que o diafragma se deslocou para cima, ficando próximo ao coração e aos pulmões. Na ocasião, ela procurou acalmar o público: está em tratamento, praticando exercícios específicos de respiração, e que eventuais alterações na voz são consequência desse quadro. “Eu faço um pouco mais de esforço para respirar em comparação com quem não tem esse problema”, disse.
Clerici sublinhou que, apesar do incômodo e do impacto em sua profissão — que depende intensamente da palavra falada —, não se trata de algo grave. “Me incomoda tanto o coração quanto o pulmão. É um problema que pesa porque eu falo muito”, afirmou, lembrando que a voz é a principal ferramenta de sua leitura do mundo e do trabalho.
Como observadora cultural, confesso que esse momento ressoa além da anedota pessoal: é um reframe da fragilidade que todas as figuras públicas, especialmente as que ocupam espaços diários nas nossas manhãs, às vezes precisam admitir. A televisão, nesse sentido, revela o roteiro oculto da sociedade — entre a performance e a respiração, há sempre uma história de cuidados, adaptações e memoriais corporais. Clerici, ao expor sua condição, nos convida a reinterpretar a naturalização do profissional que jamais falha e a reconhecer a vulnerabilidade como parte legítima do ofício.
Em termos práticos, a apresentadora garantiu que está se tratando, com exercícios de respiração e acompanhamento médico. Seu relato, calmo e sincero, foi recebido com compreensão pelo público e pelos colegas, lembrando que por trás do brilho de estúdios e formatos populares existe uma dimensão humana que merece atenção e empatia.
Este episódio é também um lembrete: saúde vocal e respiratória são pilares profissionais para comunicadores, e a transparência de Antonella Clerici funciona como um pequeno eco cultural — um convite para que conversemos com mais naturalidade sobre corpos e limites, sem sensacionalismo, apenas com a delicadeza que os relatos pessoais impõem.






















