Por Chiara Lombardi — Hoje celebramos um marco que funciona como espelho do nosso tempo: Angelo Sotgiu, a voz que ajudou a moldar a trilha sonora de gerações, completa 80 anos. Nascido em 22 de fevereiro de 1946 em Trinità d’Agultu, na Gallura, na Sardenha, Sotgiu traz em sua biografia uma geografia afetiva que cruza ilhas, portos e palcos.
Aos 16 meses mudou-se com a família para Gênova, cidade portuária que lhe ofereceu horizontes diferentes dos da ilha natal. Ainda assim, a Sardenha permaneceu como um reframe emocional: “Eu não me sinto sardo, eu sou sardo”, disse ele em 2013 ao jornal La Nuova Sardegna — uma afirmação que diz mais sobre identidade do que qualquer rótulo.
O retorno à ilha aos 11 anos foi decisivo. Foi então que Isola Rossa lhe roubou o olhar, e não por acaso: anos depois, com os primeiros ganhos ao lado do grupo, comprou uma casinha para os pais naquele trecho de litoral. A imagem do cantor que leva consigo lembranças marítimas e um porto da infância remete ao roteiro oculto da memória que muitas carreiras artísticas seguem — um conjunto de paisagens que volta aos ensaios, aos hits e às pausas entre turnês.
Antes de se firmar como um dos rostos centrais dos Ricchi e Poveri, Sotgiu teve seus primeiros passos na música com os Jets. Essa trajetória inicial é parte do eco cultural que passou a influenciar seu trabalho: a transição de grupos menores para um fenômeno pop mais amplo ilustra o modo como talentos locais se inseriram em circuitos nacionais.
Sobre a vida pessoal, Angelo Sotgiu sempre manteve uma postura relativamente reservada. A trajetória artística, contudo, foi marcada por parcerias indissociáveis — entre elas a de Angela Brambati, com quem formou uma aliança musical duradoura e simbólica dentro do grupo.
Para celebrar os 80 anos, vale destacar oito segredos/curiosidades que desenham esse percurso:
- Nascimento e lugar: Trinità d’Agultu, Gallura, Sardenha (22/02/1946).
- Mudança cedo: saiu da ilha para Gênova aos 16 meses.
- Identidade sarda: apesar da vida em terra firme, declara-se visceralmente sardo.
- Retorno aos 11: reencontro com a ilha que moldou suas memórias afetivas.
- Isola Rossa: local que o encantou; comprou uma casa para os pais com os primeiros ganhos.
- Inícios musicais: primeiros passos com os Jets.
- Ricchi e Poveri: integrante de um dos grupos pop mais reconhecíveis da Itália.
- Rotina de turnê: viagens em família e com a equipe — já chegaram a ser 24 pessoas na comitiva.
Celebrar os 80 anos de Angelo Sotgiu é também refletir sobre como a música popular atua como narradora coletiva: cada canção carrega memórias, regiões e escolhas profissionais que, juntas, compõem um roteiro de época. Na carreira de Sotgiu, a Sardenha aparece não apenas como origem geográfica, mas como referência afetiva que ressurge em cada pausa e em cada volta aos palcos.
Hoje, ao lembrarmos desse artista, não estamos apenas contando anos — estamos lendo camadas de identidade e itinerários humanos que explicam por que certas vozes resistem ao tempo. Que esse aniversário sirva de pretexto para revisitar as canções e as paisagens que o moldaram.






















