Andrea Tagliaferri não sobe ao palco do Ariston para cantar, mas reserva seu lugar na memória visual do festival: com lápis na mão, ele captura a essência dos protagonistas do Festival de Sanremo. Aos cinquenta anos, o artista nascido em Piacenza tornou-se presença constante nos bastidores da kermesse, transformando rostos e gestos em caricaturas que dizem mais do que um retrato.
Há quinze anos a ligação entre Tagliaferri e o Festival começou quase por acaso, após uma exposição de quadros figurativos em Santo Stefano al Mare. Foi lá que Antonella Giola, jornalista de TV Sorrisi e Canzoni, o convidou a desenhar os artistas em competição. A proposta evoluiu para uma colaboração anual que, edição após edição, consolidou seu apelido pela revista: o caricaturista oficial do Festival.
O trajeto de Tagliaferri, porém, remonta a bem antes desse encontro decisivo. Nascido em 1976, ele aperfeiçoou sua técnica no Istituto Gazzola de Piacenza, onde obteve bolsas de estudo por mérito. A paixão pelo desenho vem de berço: aos três anos já rabiscava animais com personalidade própria, e a mãe — percebendo um traço precoce — incentivou sua formação artística. Há também a sombra inspiradora de um avô materno, pintor talentoso que ele nunca chegou a conhecer, mas cuja herança parece reverberar em seu gesto.
O repertório de rostos que passaram sob sua mão é diverso e internacional. De Katherine Kelly Lang (famosa por Brooke Logan em “Beautiful”) a nomes italianos como Paolo Ruffini, Anna Oxa e Patty Pravo, sem esquecer gerações mais jovens como Angelina Mango, Annalisa e Geolier — todos viraram narrativa através de suas linhas. Cada caricatura de Tagliaferri é um pequeno roteiro: exageros calculados, traços que tornam visível a personalidade, ironia e afeto em doses equilibradas.
Sobre o seu processo, Tagliaferri descreve uma experiência quase visionária: “quando pego papel e lápis, já vejo o desenho na folha em branco, é como se a minha mão seguisse algo que a cabeça já delineou”. Esse automatismo criativo explica a rapidez e a fidelidade emocional de suas obras. A técnica não busca humilhar, mas revelar — uma espécie de reframe que devolve ao público uma leitura ampliada do artista que aplaude no palco.
No universo saturado de imagens do espetáculo televisivo, as caricaturas de Tagliaferri funcionam como um espelho do nosso tempo: simplificam para compreender, amplificam traços para dialogar com arquétipos e memórias do público. Elas são ao mesmo tempo tributo e leitura crítica, registrando o instante e propondo uma interpretação.
Para ele, Sanremo deixou de ser apenas um evento e virou tradição profissional. A relação com TV Sorrisi e Canzoni não só deu-lhe visibilidade, como também a possibilidade de encontrar artistas a cada ano e






















