Por Chiara Lombardi — Em uma declaração que soou como um corte de cena cuidadosamente cronometrado, Carlo Conti anunciou ao vivo no programa Domenica In que Andrea Bocelli subirá ao palco do Teatro Ariston na noite final do Festival de Sanremo, no sábado, 20 de fevereiro. A presença do tenor fecha um trio de peso entre os convidados que marcam esta edição dedicada a Pippo Baudo: Laura Pausini, Eros Ramazzotti e o próprio Andrea Bocelli.
O anúncio, feito em conexão com o programa dominical (em vez do costumeiro canal Tg1), carrega uma carga simbólica: ao evocar Con te partirò — tema apresentado no Festival em 1995 e que se tornou um dos hinos italianos mais reconhecíveis globalmente — entendemos Sanremo como um espelho do nosso tempo, onde memória e projeção internacional se encontram.
Conti, visivelmente emocionado também ao relatar o encontro com o Presidente Mattarella, falou sobre os episódios que circularam nos últimos dias em torno do chamado “caso Pucci”. Reafirmando autonomia em suas decisões artísticas, declarou que prefere que se diga que ele não sabe exercer sua profissão a acusarem-no de cedências ou imposições no mundo do entretenimento. “Não pensavo di scatenare un affare di Stato“, disse ele, lamentando sobretudo as consequências pessoais e profissionais para Pucci.
No tom mais leve das relações de camaradagem, Conti comentou a ausência confirmada de dois amigos de longa data, Leonardo Pieraccioni e Giorgio Panariello, que haviam provocado polêmica nas redes sociais. A questão teria girado em torno de Can Yaman — o interprete de Sandokan — cuja participação na primeira noite não caiu bem com os dois, que, segundo Conti, “não quiseram reggere il confronto fisico”. Há, porém, um caráter de brincadeira nestes desentendimentos; saberemos apenas durante o Festival se os “toscanacci” farão uma visita a quem, com afeto, chamam de “Calimero”.
Em síntese, as certezas anunciadas por Conti são claras: ele assina a direção artística e a apresentação do Festival; ao seu lado estará Laura Pausini como coapresentadora fixa nas cinco noites; Can Yaman será coapresentador na primeira noite; o superospite da abertura será Tiziano Ferro. Na segunda noite, o par Conti–Pausini contará com o coapresentador Achille Lauro, acompanhado do comediante Lillo. A terceira noite terá a supermodelo Irina Shayk como coapresentadora, além de performances que aquecerão o palco, como as de Eros Ramazzotti e Alicia Keys.
O anúncio de Andrea Bocelli como presença da noite de encerramento funciona como um fechamento de arco narrativo: de um lado, a longa tradição sanremense que lança e reposiciona canções; do outro, a projeção internacional que transforma um festival local num palco global. É esse o roteiro oculto que transforma cada edição num pequeno documento cultural — e, como sempre, o que veremos nas próximas noites não será apenas entretenimento, mas um reframe contínuo da nossa memória coletiva.
Data da declaração: 15 de fevereiro de 2026.






















